Pontos espalhados pela capital paulistana que são temidos por suas lendas urbanas

Tem gente que não se levanta de madrugada para beber água depois daquele filme de terror marcante, mas também há aqueles que gostam de contos sobre lugares mal-assombrados. Endereços que carregam histórias de tristes episódios e, com o passar dos anos, passaram a ser fruto de lendas urbanas.

Nossa reportagem foi atrás de alguns destes locais em São Paulo, para provar que os fantasmas não são artigos de luxo provindos dos americanos. Alguns estão visíveis, mas, quem passa hoje, mal lembra ou sabe o que aconteceu em edifícios como Andraus e Joelma, na região central da capital, nos anos 70. Além disso, há o Cemitério da Consolação, casa eterna de muitos desses personagens mortos em algum evento trágico..

Edifício Andraus (Inauguração 1962)

Endereço: Av. São João com a Rua Pedro Américo, 32 – Centro

Este edifício sofreu um incêndio em 1972, deixando 16 mortos e 360 feridos. Impossibilitada de utilizar as escadas de emergência, a maioria dos sobreviventes da tragédia optou por subir ao último pavimento do edifício, onde ficou até que os bombeiros controlassem o fogo. Eles foram posteriormente resgatados de helicóptero. O incêndio do Andraus foi, na época, a primeira grande tragédia transmitida ao vivo pela televisão brasileira, e as cenas horríveis de pessoas se jogando das janelas do edifício chocaram o Brasil e o mundo. Até hoje, os moradores dizem escutar os pedidos de socorro daqueles que morreram. Já foram registrados casos de “poltergeist”, como o barulho de portas e janelas que abrem e fecham sozinhas, além de ruído de passos.

Edifício Joelma (Inauguração 1970)

Endereço: Praça da Bandeira, rua Santo Antônio, 184 e av. Nove de Julho, 225 – Bela Vista

Os testemunhos de aparições de espíritos no edifício Joelma surgiram, em especial, após o incêndio, em 1974, que atingiu o prédio e matou 188 pessoas. “Muitas das vítimas que estavam no prédio, sem alternativas e com o pavor à flor da pele , se dividiram: umas foram para o terraço na esperança de um resgate de helicóptero e outras foram para os parapeitos das janelas. Para complicar ainda mais a situação, o edifício não possuía heliporto e as telhas e a fumaça impediam um pouso ou aproximação maior dos helicópteros”. Muitas pessoas, em pânico, não enxergaram outra solução para se salvarem e pularam. Nenhuma delas sobreviveu. Durante o incêndio, 13 pessoas tentaram escapar pelos elevadores, mas morreram carbonizadas. O estado dos corpos impediu a identificação dos cadáveres (na época não existia o exame de DNA). Assim, nasceu o Mistério das 13 Almas.

Cemitério da Consolação (Inauguração em 1858)

Endereço: Rua da Consolação, 1.660 – Consolação

Localizado em área nobre, foi o primeiro cemitério público da capital paulista e teve sua capela erguida graças à doação da famosa Marquesa de Santos, Domitila, que era amante do imperador D. Pedro I. “Ela é considerada uma santa popular e sempre há, até hoje, uma flor vermelha em seu túmulo, como ela pediu que fosse feito pouco antes de morrer”, nos contou uma funcionária que não quis se identificar. A necrópole já é mal assombrada por natureza e o Cemitério da Consolação conta com alguns dos “fantasmas” mais ilustres. “Há relatos de aparições da própria Domitila, Monteiro Lobato, Mário Zan (que comprou um jazigo em frente ao da Marquesa de Santos), Tarsila do Amaral e Antoninho da Rocha Marmo, que morreu na década de 1930 e é conhecido como o Santo do Povo. Todos estão enterrados ali”, conta. Entre outros mortos, estão alguns dos personagens dessas casas mal-assombradas, como os três parentes mortos no Castelo da Rua Apa, Dona Yayá e as mulheres mortas por um professor, jogadas em um poço onde hoje é o Edifício Joelma.

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