Com elementos regionais como um lutador cangaceiro e uma lutadora que samba ao vencer, o jogo desenvolvido em Fortaleza (CE) está em sua fase beta, mas já dando o que falar.

Games de luta 2D se tornaram populares nos anos 1990, quando franquias como “The King of Fighters”, “Street Fighter” e “Mortal Kombat”ganharam o mundo e viraram referências do gênero. Alguns desses jogos contam com personagens de nacionalidades diversas, representados de forma estereotipada ou irreal, como no caso do monstro Blanka, o brasileiro de “Street Fighter”. Porém, um time de desenvolvedores de games de Fortaleza (CE) está criando um jogo com lutadores brasileiros mais reais e ainda assim com a cara desses sucessos da era 16-bits.

2Trajes Fatais” começou a ser desenvolvido em 2009 pelo Onanim Studio. A ideia surgiu quando David Herculano sugeriu para o game designer Onofre Paiva, um grande fã da série “The King of Fighters”, fazer um jogo de luta que se passava durante uma festa de Halloween. Os dois amigos artistas se entusiasmaram com a ideia e passaram a procurar programadores para desenvolver o conceito, encontrando assim André e Emir Lima. Foi Emir que nos contou um pouco sobre como a ideia inicial surgiu e foi se transformando durante o desenvolvimento do game.

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Onofre Paiva, Emir Lima e Luiz Lima, parte da equipe do Onanim Studio, durante a BGS 2016

“Tudo começou com o Onofre Paiva, que é nosso game designer, conversando com um amigo dele, o David Herculano, e o David deu a ideia de fazer um jogo de luta que se passava numa festa de Halloween” conta Emir. “E durante o brainstorm o conceito acabou mudando para uma festa de aniversário à fantasia, por ser um tema mais abrangente. Queríamos mais liberdade para criar personagens e fantasias, não ficarmos presos só em Halloween. E aí com isso poderíamos criar inclusive personagens com elementos regionais brasileiros, colocar um pouquinho da nossa cultura no jogo, mas sem ser algo forçado” completa.

“Trajes Fatais” se passa durante uma festa de aniversário em que os convidados fantasiados misteriosamente ganham poderes de luta. O visual é todo em pixel art e 2D, com referências nacionais diluídas entre personagens, estilo de luta e animações. A personagem aniversariante Natália Clarimont usa uma fantasia de fada e tem movimentação inspirada em seu hobby, o ballet. Sua melhor amiga Lucy Fernandez usa uma fantasia de diabo e samba em cima dos inimigos como forma de ataque. O namorado de Lucy, Cristiano Martins, é um anjo capoeirista. Mas o personagem mais marcante é Lourenço Sombra, o cangaceiro, que ao atacar solta frases como “olha a peixeira” e “o carcará impetuoso”.
Lima acredita que a melhor forma de fugir dos estereótipos brasileiros retratados nos jogos de luta estadunidenses e japoneses é justamente incentivando a produção de games do gênero no Brasil. “Não queríamos fazer o jogo do índio ou o jogo do saci só por ser brasileiro, mas sim uma coisa mais natural, para um público internacional. Não queremos fazer o jogo só para o Brasil, queremos fazer com que o americano ou o japonês jogue e consiga perceber alguma familiaridade naqueles elementos ali” diz.

1O olhar para o público internacional é apenas um dos elementos que revelam o quanto “Trajes Fatais” é um jogo ambicioso, realmente grande para uma equipe independente. A história do game traz muitos dos desafios vividos pelo indie brasileiro no momento, sendo o maior deles a dificuldade financeira que os desenvolvedores ainda têm para se dedicarem exclusivamente à criação de jogos. A equipe de “Trajes Fatais” só pode trabalhar no projeto aos finais de semana, e esse tempo é muito reduzido para um game de luta com alta complexidade de movimentação e animação, e com 10 personagens diferentes previstos no projeto inicial.

“Com o passar dos anos descobrimos que estávamos subindo um Everest, e em 2014 nos demos conta de que aquele projeto grande que queríamos fazer ia demorar mais uns 15, 20 anos para ser feito” conta Lima. “Então, isso fez com que a gente voltasse para sala de planejamento para repensar o escopo do projeto. O jogo ia ser muito mais complexo do que ele é hoje, ele teria quatro botões de ataque, muito mais sistemas, mas precisamos simplificar ele, até mesmo para podermos terminar logo, lançar e conseguir algum retorno financeiro para poder investir num jogo mais complexo”, conta ele.

Após a campanha de financiamento coletivo criada para acelerar o lançamento do game não atingir a meta, a equipe do Onanim Studio ainda não tem uma previsão de lançamento para “Trajes Fatais”, já que precisará continuar trabalhando no jogo apenas aos finais de semana. Mas o game já conta com uma comunidade grande em torno de sua versão beta, disponível para download itch.io, e tem mais de 17 mil seguidores em sua página oficial no Facebook.

Lima garante que a equipe continuará fazendo o possível para lançar “Trajes Fatais” o quanto antes. “Queremos nos consagrar nesse gênero de ação 2D em pixel art, lançar Trajes Fatais para PC inicialmente, e depois começar a portabilidade dele para console, OSX e Linux. E depois disso continuar desenvolvendo projetos do tipo, temos muitos projetos de jogo de luta, jogo de plataforma, de briga de rua, que estamos doidos para desenvolver”, afirma.

Fonte: http://iq.intel.com.br/

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