A prática do esporte tem sido essencial para um grupo de crianças e jovens que residem no bairro de São Miguel, localizado na zona leste da capital paulista. No extremo da cidade, um ex-jogador desenvolveu um projeto que, mais tarde, ganhou a atenção dos outros moradores ao promover um espaço onde o futebol e educação andam lado a lado. Durante o sábado, 11, cerca de 500 pessoas fecharam um quarteirão no Jardim São Vicente, para festejar o 37º aniversário da escolinha comunitária de futebol “Vamo q Vamo”, responsável pela formação de milhares de garotos ao longo destas quase quatro décadas.

O evento proporcionou um grande almoço gratuito para a comunidade e aqueles fazem ou fizeram parte da linda história desta iniciativa, além dos brinquedos para os públicos mais jovens e musicais da região. A escolinha de futebol é vista pelos moradores como um legado que atravessou gerações e, apesar de não contar com nenhum apoio das gestões públicas, se manteve com o esforço da vizinhança e de alguns comércios locais. Mas, antes do reconhecimento atual, alguém precisou arregaçar as mangas e apostar na pratica esportiva, como uma forma de mostrar a importância do esporte na construção de um indivíduo.

“Eu mesmo tinha dificuldade e fui um atleta que joguei na comunidade. Em seguida, estive dois anos na seleção de basquete da seleção, quando era adolescentes. E o esporte contribuiu muito na minha vida, pois, ganhei bolsas de estudos e serviços para representar a escola. (…) Depois de adulto fiz faculdade, sendo bolsa atleta pela Unicsul, ou seja, tudo o que eu consegui foi graças ao esporte. O que me fez levar este mesmo caminho para as crianças do bairro”, conta Irineu Augusto de Souza Candido, fundador do movimento e técnico do time.

A confraternização, que se estendeu da tarde até à noite, teve motivos para prolongar a agitação. Um dia antes, os meninos da equipe do “Vamo q Vamo” levantaram o caneco do 11ª Copa das Férias de Ermelino Matarazzo, com três tentos marcados, segundo nos contou Irineu em sua visita na redação do Grupo Acontece de Jornais e Revistas. Meninos que ora estavam à mercê da criminalidade, ora estavam trabalhando no farol, hoje atuam em grandes equipes ou encontraram amparo afetivo, cultural e até emocional, numa parte carente de São Paulo.

“Este projeto me ajudou a ser o que eu sou hoje como cidadão. A importância dele para mim é que eu aprendi a me esforçar e também não fui para nenhum caminho errado. Me ensinou a ser uma pessoa de bem”, explica João Luiz Santos de Oliveira, que atuou nas categorias de base e, atualmente, faz parte da cúpula dos diretores – quando não está exercendo a sua função de bombeiro.

Os treinos ocorrem toda terça e quinta-feira e são divididos em dois horários, por conta da intensa procura dos jovens de São Miguel e de outros bairros. No período da manhã as primeiras atividades começam por volta das 8h30 até às 10h30, e o treinamento vespertino inicia-se das 16h às 17h. Para saber mais, basta procurar no Facebook pelo projeto “Vamo q Vamo”

História

Criada em 1981, por moradores do Jardim São Vicente, em São Miguel Paulista, o objetivo foi desenvolver várias atividades carnavalescas. Atualmente, o projeto atua na área de esporte e cidadania para crianças e adolescentes entre 10 a 17 anos de idade, que disputam diversos campeonatos. Por vezes, o “Vamo q Vamo” foi considerado um grande celeiro de craques que seguiram carreira em clubes como: Palmeiras, Flamengo, Nacional, Rio Claro e até nos gramados europeus.

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