Moradores da Vila Itaim terão de sair de casas construídas em terreno invadido do DAEE por causa das enchentes.

Bastam os primeiros pingos e os moradores de Vila Itaim, Zona Leste de São Paulo, começam a se preocupar com o risco de enchentes. Há sete anos, essa é a dura realidade vivida por 130 famílias que, dão adeus aos móveis e eletrodomésticos, a cada novo lamaçal deixado sempre que chove. Dessa vez, os munícipes deixarão as suas casas, mas finalmente o governo do estado realizará as reformas em prol dessa região afastado do centro.

São 520 pessoas que moram na área, perto do rio Tietê e da rodovia Ayrton Senna. As famílias construíram casas num terreno do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) e agora receberam o aviso de desapropriação. Elas têm que deixar os imóveis até a semana que vem, no dia 5 de dezembro.

A maioria não reclama. Sabe que a obra contra alagamentos ali na região é importante. Mas as famílias não gostaram nada de ter que sair sem receber nenhuma indenização. Isso porque elas moram em um terreno do estado que foi invadido. Nessa época do ano, a galocha vira item indispensável para quem mora na Vila Itaim. Bastou chover um pouco que as ruas ficam cheias de água.

As casas na Vila Itaim ficam na várzea do Rio Tietê, ou seja, local para onde rio transborda quando há inundação. A área é do DAEE, que é do governo do estado e quer construir aqui um pôlder.

É uma espécie de terreno rebaixado, onde a água escorre e para. Fica protegido por diques que ajudam a drenar essa água pra que ela não invada as ruas.

Mas para construir o pôlder, pelo menos 130 famílias vão precisar deixar suas casas.

“Quantos anos que eu moro aí, nunca, nunca, nunca que ninguém mexeu nem cutucou. Agora que fica cutucando a gente pra sair daqui correndo”, reclama o morador Jurandir Machado de Castro. A Vila Itaim é vizinha ao jardim romano, que em 2010 ficou quatro meses debaixo d’água.

A moradora Nerivânia Santos mora no bairro com o marido e a filha há 15 anos. Ela diz que quase todo dinheiro que a família recebeu nesse período foi investido aqui. Por isso acha injusto sair daqui sem receber nada.

“Desde 2010 a gente sofre todo ano com enchente, todo ano”, diz Nerivânia. “A gente não tá contra fazer o pôlder, pode fazer. Só indeniza a gente que a gente sai, de boa, sossegado, sem conflito, sem nada. É só indenizar”.

A Secretaria Municipal de Habitação explicou que não vai pagar indenização mesmo porque essas 130 famílias fizeram casas numa área pública, do governo do estado cada família vai receber auxílio aluguel de R$ 700 por 2 anos. E também uma casa num conjunto habitacional que vai ser construído ali na região e deve ficar pronto em 2019.

O DAEE diz que a obra vai beneficiar 10 mil moradores da área. Vai custar quase R$ 100 milhões e, quando começar, deve ser concluída em 16 meses. Esse vai ser o segundo pôlder na região do Jardim Romano.

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