Texto: Henrique Santos – Fotos: Eduardo Rocha | Se imagine num mundo sem sons, no qual você também não consegue se expressar verbalmente. As coisas mais simples como ir ao mercado, ao médico, conversar com um vizinho ou estudar, não são tarefas tão fáceis e comuns diante deste desafio. Esta é a realidade de 9,7 milhões de pessoas que apresentam deficiência auditiva no Brasil e que, apesar dos avanços, ainda enfrentam barreiras quando se fala em inclusão. A trajetória escolar, por exemplo, exige necessidades específicas, cuja precariedade do sistema educacional não é capaz alcançar as diversas crianças. Mas, foi pensando nelas e sofrendo o que elas passam, que um padre italiano inspirou um lindo projeto no Jardim Nazaré, localizado na zona leste da capital paulista. Graças a Escola de Educação Especial Severino Fabriani para Crianças Surdas, muitos meninos e meninas tem acesso a uma estrutura que lhes permitirá um futuro melhor.

Nascido em 1972, na região de Modena (Itália), o padre Severino Fabriani trocou a oratória dos discursos pela linguagem dos sinais após uma súbita doença que o impossibilitou de se comunicar oralmente. Mesmo diante desta mudança, ele seguiu ajudando, mas em outra frente de atuação da igreja e, como diria aquela famosa frase que adoramos usar: “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Atualmente, existem cinco unidades que prestam atendimento gratuito para educandos e educandas com surdez. A metodologia de Fabriani, que visa construir um estilo educativo dado com amor, atravessou os séculos e os mares. E por conta dos obstáculos, o pioneiro da educação e instrução dos surdos, é lembrado com carinho por ser o fundador da “Congregação Filhas da Providência” e por sua contribuição.

Cada tijolo e até a tinta vieram das doações de empresas, órgãos públicos e das comunidades nos entornos. Acredite se quiser, mas até mesmo os casais italianos convertiam as suas listas de presentes do casamento em donativos para esta obra. A unidade de Itaim Paulista é a segunda com maior tempo em atuação, só ficando atrás da matriz no continente europeu. Quem olha e conhece as dependências atuais, fica cético de imaginar que aquilo tudo começou no salão de uma igreja. Hoje, mais de cem crianças com deficiência auditiva de perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais – são divididas entre o turno da manhã e tarde – podendo desfrutar de uma série de estratégias inclusivas, que vão além de ensinar a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

“Aqui é o circuito psicomotor. Como as crianças necessitam desenvolver a parte de coordenação motora e conhecimento do corpo, diferentemente das crianças ouvintes que seguem as instruções dos pais, aqui eles [alunos da instituição] precisam ser instruídos visualmente para poderem adquirir essas noções”, explica a coordenadora pedagógica Marisa Cristina, sobre a nova instalação para as atividades físicas na escola.

No espaço para as atividades, montado recentemente com a organização de líderes de negócios e profissionais do Rotary Club – São Miguel, os professores desenvolvem o controle corporal da turma. O apadrinhamento rendeu brinquedos, materiais almofadados e entre outros objetos lúdicos que são exigências das atividades voltadas a postura, equilíbrio, deslocamento e também da coordenação para manipular objetos. Um circuito completo, como forma de incentivo pelos serviços de qualidade sem custeio daqueles que precisam.

“Quando nós descobrimos esta entidade maravilhosa que trabalha com crianças surdas, vimos a dificuldade que as crianças têm para aprender e até se desenvolver no seu ambiente de casa. E quando vêm para a escola [Centro Fabriani], eles se sentem mais felizes, porque, até então, muitos pais não sabem que a criança com surdez tem muita dificuldade de participar da sociedade. (…) aqui eles encontram os seus pares e isso gera uma felicidade geral. Por isso, a ideia do Rotary foi simplificar com subsídios”, conta Antônio Souza Cruz, presidente do Rotary Club de São Miguel.

Apesar de receber uma verba da Secretaria Municipal de Educação, infelizmente o dinheiro não é suficiente para manter os custos da manutenção do prédio, aquisição materiais didáticos e até de profissionais, que são indubitavelmente necessários. É o caso do fonoaudiólogo, pois, uma parte do edifício segue sem uso, enquanto não surge o capital necessário.

“Eu não posso educar somente com o giz e uma lousa. Não temos condição e ainda carecemos de muitas coisas. Pois, cada um deles demanda uma atenção diferente. Se a criança necessita de um material, eu preciso construir este material e, se não tem como construir, temos que comprar. (…) temos todo o material, mas falta o fonoaudiólogo para realizar os exames, por exemplo. Então, todo mundo precisa receber o seu salário e esses exames são extremamente importantes para eles”, conta Eliene Lopes Guimarães, freira e diretora responsável pela entidade.

Irmã Eliene está há 28 anos neste movimento. Já promoveu atividades festivas, bazares beneficentes e entre outros modos de angariar fundos. Já foi do ferro velho até as entidades governamentais, atrás de parcerias. Tudo para manter o transporte gratuito, acompanhamento psicológico para a criança e a família, aulas de reforço, coral de LIBRAS, computação e entre outras dinâmicas.

Assim, é preciso observar a importância que esta inclusão trouxe de melhor para a educação de surdos, objetivando driblar as dificuldades que, consequentemente, geram os problemas de evasão escolar, baixo acesso ao Ensino Superior e ao mercado de trabalho. Os interessados em matricular os seus filhos, doar ou contribuir como voluntários, podem entrar em contato com essa causa nobre e tirar a invisibilidade deste assunto na sociedade.

Informações:

Endereço: Rua Odilon Chaves, 39 – Itaim Paulista – São Paulo – SP

Telefone: 2035 – 1824

Celular (Whatsapp): 94170 – 1225

E-mail: severinofabriani@superir.com.br

Facebook: EEE Severino Fabriani Para Crianças Surdas

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