Um levantamento realizado pelo Instituto Panamá afirmou que 65% dos brasileiros se mostram pouco ou nada interessados pela Copa do Mundo na Rússia

Texto: Henrique Santos | Quando o assunto é Copa, lembro-me de uma manhã de 2002. Meu pai e um grupo de vizinhos se reuniram espontaneamente para pendurar a bandeira do Brasil, além de pintar a rua de verde e amarelo. Atualmente, é possível que você não tenha visto nada disso, pois, segundo uma pesquisa realizado pelo Instituo Panamá, cerca de 65% dos brasileiros não se mostram tão interessados com o maior evento do mundo de futebol.

Elaborada com as respostas de 2.984 pessoas em 185 cidades brasileiras, o levantamento foi publicado no fim de abril – faltando um pouco mais de mês para do evento. Mesmo os mais simpatizantes do esporte ou que, realmente, consomem conteúdos deste entretenimento (14,5%), não souberam responde sobre a data de início do torneio.

As devoções pelo futebol e a forte presença dele no “DNA” da cultura brasileira, foram responsável pelo fenômeno de ruas vazias – mesmo quando a sociedade atravessava as tensões no espectro político e econômico, conforme escreveu o Franklin Foer. Em seu livro “Como o futebol explica o mundo”, o americano esmiúça o peso desta prática esportiva tão amada como ferramenta de manobra da Itália ao Irã, do Brasil à Bósnia.

Historicamente, o baixo entusiasmo da população na seleção brasileiro pode, sim, ser considerado algo atípico. Em entrevista ao UOL Esportes, o sociólogo Maurício Murad, citou exemplos do de regimes políticos como, por exemplo, durante a ditadura militar em 1970. Apesar do cenário delicado com o sumiço de cidadãos, a Copa foi bem aceita e a seleção de 70 conquistou o apoio popular.

“É difícil prever, mas a tendência é as pessoas se envolverem mais quando o Mundial começar, se a seleção tiver um futebol bonito, de infiltração e drible. A seleção tem condição de fazer isso e reacender o nosso inconsciente coletivo. O futebol tem uma grandeza simbólica e identitária no Brasil, como se tivesse independência em relação a toda essa estrutura de corrupção e violência”, apontou Murad na entrevista.

Portanto, resta esperar para ver se com a edição deste ano, voltaremos a ver as crianças nas ruas gritando o nome dos heróis com a amarelinha e se nos empolgaremos novamente.

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