Apesar de ser recordista em números absolutos de assassinatos de LGBTs, SP tem apenas 23% de índice de intolerância, de acordo com estudo

Conhecida mundialmente por ter a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo e abraçar a diversidade sexual e de gênero, São Paulo é o estado que mais mata LGBTs no Brasil, considerando números absolutos. Apesar disso, apenas 23% dos moradores acreditam que haja intolerância motivada pela orientação sexual ou identidade de gênero, segundo pesquisa “Viver em São Paulo: Diversidade”, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência.

De acordo com com dados do Grupo Gay Bahia (GGB), organização não-governamental que realiza relatórios anuais de LGBTfobia, preconceito motivado pela orientação sexual, a cada 19 horas um LGBT é morto no País. Em 2016, o número de mortos chegou a 343, sendo que 49 aconteceram em SP.

No ano seguinte, em 2017, o número pulou 59 mortes em SP e 445 no Brasil. Em 2018 já são 21 assassinatos em São Paulo, em uma realidade de 153 crimes no país. Entretanto, na percepção de moradores das regiões leste e centro, segundo a pesquisa “Viver em São Paulo: Diversidade”, SP tem altos índices de tolerância: 56% e 53%, respectivamente.

Para o designer gráfico Bruno Herbert, 21, morador de Parelheiros, extremo sul da cidade de São Paulo, a tolerância com LGBTs está longe de ser uma realidade. Na região sul, cerca de 22% da população tem percepção de que SP ainda é intolerante.

“Estamos diante do país mais genocida contra pessoas LGBTs, o dado nem de longe representa a realidade atual, pois o que é vivenciado pela comunidade no dia a dia é na verdade uma série de violências que se manifestam de forma oculta ou extremamente declaradas que vão da porta do banheiro que traz mensagens de ódio aos comentários e olhares dirigidos nas ruas, isto quando não ocorrem ataques, que as estatísticas estão cansadas de mostrar”, afirma.

“Acredito que São Paulo não esteja mais tolerante, às vezes chegamos a acreditar de fato que as percepções estão mais desenvolvidas por conta de referenciais dentro da nossa bolha social. Mas precisamos lembrar que as exceções não constituem o estado inteiro e, enquanto houver resistência diante dos debates LGBT+, medo de ser machucado por ser quem se é, pessoas continuarem marginalizadas e sem perspectivas de emprego formal, a intolerância continuará sendo alta”, completa Herbert, ao contar que nunca sofreu agressões, mas já escutou comentários como ‘vira homem’ e ‘cuidado com a lâmpada’, em referência a agressão sofrida por LGBTs na região da Avenida Paulista em 2010.

Em caso de agressão ou ameaça é possível recorrer a alguns caminhos, como conta à reportagem a advogada criminalista Gisele Alessandra Schimidt, que também é militante dos direitos humanos da população LGBT. “Há ONGs, Ministério Público, Defensorias Públicas, Comissões da OAB. A pessoa deve procurar essas entidades que buscarão, dentro de alguma legislação, mesmo que mínima, alguma tutela, ainda é importante essa procura para a criação de índices e fomentação de banco de dados”, explica.

Gisele acredita que, para diminuir o índice de violência, é preciso fazer uma mudança profunda em que o respeito deve prevalecer. “O primeiro passo para esses índices de violência diminuírem é através de uma profunda mudança social onde o respeito deve prevalecer. Por fim tem a questão da criminalização da LGBTFOBIA, mas, como advogada criminalista e abolicionista, acredito que o direito penal deve ser a última opção, porém, na questão LGBTI, creio ser necessário a criação de um tipo penal, haja visto que essa parcela da população é extremamente vulnerável e sem nenhuma tutela”, ressalta Schimidt.

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