Eduardo Micheletto

O segundo capítulo da série “Raio X nos Bairros” falará um pouco sobre o distrito da Cidade Tiradentes, sobre as suas necessidades e, principalmente, sobre as expectativas dos moradores nas próximas eleições. Desde o início do projeto, recebemos um rico conteúdo da população local, que enviaram as suas reivindicações para o endereço de e-mail: raioxdosbairros@gmail.com.

Com uma população estimada em 220 mil habitantes, segundo o censo de 2010, a Cidade Tiradentes sofre com necessidades extremas, que vão desde saneamento básico, educação, transporte público, saúde, segurança pública, emprego e principalmente, moradia.

Porém diversos moradores divergem destes dados, pois devido ao alto número de invasões na região, o número de moradores salta para mais de 350 mil habitantes. Muitos informam que a localidade chega a 500 mil, porém estes dados não são oficiais, o que prejudica a região na hora do recebimento de recursos, já que os orçamentos são destinados aos 220 mil habitantes oficiais. Essa “falha no orçamento” ocasiona ainda mais desigualdades populacionais para uma região carente de recursos.

A identidade dos moradores está diretamente ligada ao processo de constituição do bairro, feita sem um planejamento pré-estabelecido. O local foi desenvolvido como um grande conjunto periférico e monofuncional para deslocamento de populações atingidas pelas obras públicas, assim como ocorreu com a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

Muitas pessoas foram morar lá em busca da realização do sonho da casa própria, embora boa parte tenha se deslocado a contragosto, pois não haviam outras opções de moradia.

A região oferece escassas oportunidades de trabalho, e logo, a “Tiradentes”, como é chamada pelos moradores, se tornou um “bairro dormitório” e de passagem e não de destino.

Segundo dados da Rede Nossa São Paulo, há cerca de 6 mil postos de emprego na região, quase mil a menos do que em 2013. É o distrito com menor proporção população/emprego da capital paulista. De acordo com o mesmo estudo, cerca de 12% da população atual está sem emprego, ou sem condições de pagar por um aluguel ou prestação da casa própria, muitas pessoas recorrem ás ocupações em áreas irregulares, como Cohab Castro Alves, Santa Etelvina, Barro Branco, Sítio Conceição, entre outros.

Atualmente vivem 52.875 famílias, sendo que deste total, 8.064 famílias encontram-se em situação de alta ou muito alta vulnerabilidade. “Aqui há muita invasão de casa, de terrenos que estão vagos e de até locais públicos”, conta Severina dos Santos Leite, 67, moradora há 20 anos.

Outro problema levantado durante a reportagem, foi a escassez no transporte público, pois as atuais linhas de ônibus não dão conta da alta demanda local. Segundo a moradora, Jaqueline Brito, 25, sua ida ao trabalho chega a levar duas horas. “Trabalho no centro da cidade e não há uma condução rápida e eficaz até lá”, conta.

A precariedade na Saúde também foi citada pelos moradores, já que atualmente a região dispõe apenas de oito Unidades Básicas de Saúde, duas AMAs, além de um único hospital municipal. “A falta de mais equipamentos faz com que os moradores se desloquem a bairros e a cidades vizinhas em busca de um atendimento”, conta Antônia Pereira, 39, que frequentemente leva seus filhos para serem atendidos no Hospital Geral de Guaianases.

Em época de eleição, o bairro é frequentemente visitado por candidatos em busca de riquíssimos votos, que pode garantir um lugar entre os eleitos. “Existem alguns nomes já conhecidos, e que há anos concorrem, estes levam em média, 5 a 8 mil votos, e saem daqui quase eleitos, porém nada fazem pelo povo”, conta Edmundo Leite, 65, morador há 40 anos.

Cabe agora, os moradores do bairro, escolherem melhor os seus representantes, para que a Cidade Tiradentes deixe de ser apenas um “bairro dormitório”, e seja um lugar bom para se morar.

 

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