Cantareira e Alto Tietê também tiveram redução. Segundo especialista, é preciso entrar com medidas preventivas contra desabastecimento

O sistema Guarapiranga, o segundo maior da capital paulista, perdeu quase 20% de seu volume de reserva de água em dois meses. O Cantareira, o maior, se aproxima do estado de atenção.

A cidade de São Paulo está há 36 dias sem chuva. O tempo é considerado o mais seco desde 2000, segundo o Climatempo. Nesta sexta-feira (20) uma massa de ar seco garantiu mais uma tarde com muito sol quente e umidade de 37%. Essa circunstância agrava a situação dos mananciais e reservatórios que abastecem a cidade.

De maio, quando começou a fase de seca, até agora, as represas do sistema Cantareira operam com 41,2% de sua capacidade — no início do período de estiagem estava registrava 47,9%. O Alto Tietê está com 54,1% (antes era 60,7%), e o Guarapiranga sofreu a queda mais acentuada: de 82% para 65,5% (ou 20,12% do que guardava).

Para se ter uma ideia, o Sistema Cantareira perdeu nesse período o equivalente a 26.500 piscinas olímpicas — foram 66,31 bilhões de m³ de água. No Alto Tietê, a perda neste período foi de 29,53 bilhões de m³, e no Guarapiranga, 37,03 bilhões de m³.

Para Marussia Whately, consultora na área de recursos hídricos e sustentabilidade e coordenadora da Aliança pela Água, só a prevenção evitará medidas mais radicais. “Não dá para contar com o clima. Estamos em uma época que realmente não chove, mas e se chegar outubro e não chover? É preciso retirar menos água das represas, investir nos programas de bônus, medida que se mostrou eficaz com 80% de adesão {durante a crise hídrica, entre 2013 e 2015], para evitar soluções drásticas mais adiante. ”

Para a consultora, embora haja uma repetição no padrão de retirada de água da fase conhecida como crise hídrica, a situação atual é diferente. “Tivemos pouca chuva no verão de 2013/2014, este ano choveu menos do que o esperado, mas não é motivo para alarme. ” Para Marussia, a população deve reduzir o consumo, e as prefeituras devem estimular a capacitação para recolhimento da água da chuva e estimular o reuso.

Por meio de nota, a Sabesp afirmou que possui um sistema mais robusto, com mais interligações e maior capacidade de tratamento de água do que antes da crise hídrica de 2014-15. De acordo com a empresa, foram 36 grandes obras entregues, além de mil intervenções de pequeno e médio portes.

No entanto, a Sabesp afirma que é essencial que a população mantenha hábitos de consumo racional de água, evitando o desperdício, especialmente neste período de estiagem. A entrada de água nas represas, principalmente a partir de abril, no Sistema Cantareira, tem ficado muito próxima das mínimas já registradas.

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