Pesquisa da Abrasel mostra que 78% das empresas do setor precisaram renegociar o contrato de aluguel, e 62% estão com dificuldades para repor os estoques.

Com as portas fechadas e trabalhando apenas com entregas em boa parte do país, bares e restaurantes lutam para não fechar definitivamente. E assim como diversos setores, têm encontrado dificuldades para conseguir crédito e manter as contas em dia – apesar dos programas de financiamento já lançados pelo governo.

Segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 80% dos empresários do setor já buscaram algum tipo de crédito junto aos bancos. Desses, no entanto, 81% tiveram o pedido negado.

Os bares e restaurantes estão precisando com urgência de dinheiro barato e em adequadas condições com carência e prazo de pagamentos ajustados para os desafios atuais”, disse o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci. “Enxergamos muitas tentativas do Governo Federal de oferecer crédito barato e que chegasse na ponta, mas que, até agora, foram infrutíferas”, lamentou.

Desde o início da pandemia, o governo já anunciou uma linha de crédito emergencial voltada a pequenas e médias empresas (com faturamento de R$ 360 mil a R$ 10 milhões) para ajudá-las a pagar os salários de seus funcionários, e uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal voltada ao microempreendedor individual e a micro e pequenas empresas para que obtenham capital de giro.

Esta semana, o governo sancionou também uma lei que cria também uma linha de crédito para auxiliar micro e pequenas empresas durante a crise do novo coronavírus – medida que já estava aprovada no Congresso desde 24 de abril, aguardando apenas a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

“Estamos esperançosos com os movimentos que vêm acontecendo desde a semana passada, que começam a mostrar uma luz no fim do túnel”, disse Solmucci. “Embora tenha havido uma frustração inicial, justificável, a expectativa é que o que deu errado está virando aprendizado para que o Governo disponibilize crédito de forma mais efetiva”, apontou.

Sem dinheiro para aluguel e estoques

O crédito que não chega faz falta: a pesquisa da Abrasel mostrou que 78% das empresas do setor precisaram renegociar o contrato de aluguel, e 62% estão com dificuldades para repor os estoques para a reabertura, quando ela vier a ocorrer.

Isso porque, para 64% das empresas do setor, o faturamento caiu mais de 75% em comparação com o período antes da pandemia, segundo o levantamento, feito com 1.558 estabelecimentos entre os dias 15 e 18 de maio.

Delivery e demissões

A associação aponta que 55% dos restaurantes do país estão, hoje, trabalhando apenas com delivery, modalidade que não consegue manter o faturamento dos estabelecimentos. Com isso, em média, as empresas adotaram a suspensão do contrato de trabalho para quase metade dos funcionários.

No início de maio, a Abrasel estimava que 20% dos bares e restaurantes do país já haviam fechado as portas em definitivo desde o início das medidas de isolamento social e que ao menos 1 milhão de empregos formais já haviam sido extintos. O setor reunia até março quase 1 milhão de pontos comerciais e empregava cerca de 6 milhões de trabalhadores, sendo 3 milhões de empregos formais.

A estimativa agora é que nos próximos 30 dias, mantida a atual situação, quase 20% dos empresários deverão demitir todos os funcionários.

Retomada

A retomada, quando houver, deverá ser lenta: 67,2% dos empresários pretende retomar as atividades com operação reduzida quando forem autorizadas. O setor também aposta em novos protocolos sanitários para garantir uma reabertura segura e convencer os clientes a voltarem a frequentar bares e restaurantes.

O “novo normal” contará não só um maior distanciamento entre mesas e reforço nas rotinas de higienização como também adaptações nos objetos e utensílios colocados nas mesas e balcões, além de mudanças na maneira de receber e servir os clientes. A nova rotina gastronômica deverá incluir, entre outras coisas, o fim do menu em papel, substituição dos guardanapos de pano, abandono do sistema self-service e muito álcool em gel.