Céu encoberto por nuvens cinzentas, cheiro de fumaça, buzinas tocando, calor excessivo e pessoas doentes são itens de um cenário nada agradável para se viver. Infelizmente, essa é a realidade de muitas cidades no mundo, que convivem com os impactos gerados pelo desenvolvimento desordenado e o adensamento urbano. 

A poluição atmosférica, resultante, principalmente, das emissões de combustíveis fósseis, é um dos principais problemas dessa realidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído. A poluição do ar em locais fechados e em ambientes externos causou estimadas 7 milhões de mortes globalmente em 2016, segundo a ONU Meio Ambiente, e pode levar às pessoas à morte prematura por doenças cardíacas, derrame e câncer, além de provocar infecções respiratórias.

Os números são alarmantes e o cenário preocupante, já que as emissões de dióxido de carbono aumentaram 2% em todo mundo em 2018, sendo considerada a maior elevação em sete anos, segundo relatório divulgado pela empresa de combustíveis BP.  O transporte é um dos principais responsáveis pela poluição do ar nas cidades. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o setor de transporte responde por 25% das emissões globais de gases do efeito estufa e, por ano, produz 8 gigatoneladas de substâncias que contribuem para o aquecimento global, valor 70 vezes mais alto do que há 30 anos.

O transporte sobre trilhos contribui significativamente com o meio ambiente, com benefícios que vão muito além do transporte em si. Os trilhos urbanos emitem 60% menos CO2 que os carros e 40% menos dióxido de carbono em relação aos ônibus, isso quando considerada toda a cadeia de geração de energia, pois no caso apenas do transporte em si, a emissão dos sistemas eletrificados de trilhos é zero. Nos centros urbanos onde estão instalados, os sistemas sobre trilhos proporcionam a retirada de 1,3 milhão de carros e 18 mil ônibus por dia das ruas. 

Para se ter uma dimensão do benefício que esse tipo de transporte traz para as cidades e a saúde da população, no Brasil, onde esse modo de deslocamento ainda não atende a todas as principais cidades e a rede metroferroviária conta com pouco mais de 1.000 km de extensão, a utilização dos sistemas sobre trilhos permite que se deixe de emitir nos centros urbanos mais de 2 milhões de toneladas de poluentes ao ano.