Alunos e professores da Universidade de São Paulo (USP) e de colégios públicos e particulares protestam na manhã desta quarta-feira (15) contra o bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC).

Com faixas e caminhão de som, um grupo fechou entre as 6h e as 9h a entrada da Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital, e a Rua Alvarenga, em frente ao portão do campus.

Protesto de alunos e professores da USP fecha a Rua Alvarenga — Foto: Leandro Matozo/GloboNews
Foto: Protesto de alunos e professores da USP – (Leandro Matozo)

Às 8h15, policiais civis do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) discutiram com os estudantes. Um dos agentes chegou a retirar o celular de um dos manifestantes, mas o devolveu. Após o bate-boca, os agentes deixaram o local e o ato seguiu pacífico.

No campus da Faculdade de Direito, no Largo São Francisco, Centro, foi feita uma aula aberta para discutir o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). As aulas também foram suspensas.Por volta das 9h, os manifestantes entraram na universidade e seguiram protestando.

O número de manifestantes não foi informado pela organização nem pela Polícia Militar –a corporação não divulga quantidade de participantes de protestos. As aulas foram suspensas nesta quarta.

Além de alunos das faculdades públicas, estudantes de instituições particulares também protestaram. No Mackenzie, na Consolação, Centro da capital, alunos aproveitaram o intervalo das aulas para fazer manifestação no interior do campus.

Alunos do Mackenzie protestam no campus — Foto: G1
Foto: Alunos da Universidade Mackenzie – (Imagem de Reprodução)

Com uma faixa escrita “Mackenzistas contra os cortes”, os estudantes levaram livros como forma de protesto. “Nós defendemos o futuro do Brasil, por isso queremos mais livros, educação e saúde”, diziam em coro.

Entidades ligadas a movimentos estudantis, sociais e a partidos políticos e sindicatos convocaram a população para uma greve de um dia contra as medidas anunciadas pelo governo federal na educação. Alunos e professores em outras cidades do país também aderiram à paralisação.

Secundaristas

Além dos universitários, estudantes secundaristas das redes pública e privada aderiram à paralisação.

Protesto de estudantes na Avenida Higienópolis — Foto: Graziela Azevedo/TV Globo
Foto: Protestos na Avenida Higienópolis – (Graziela Azevedo)

Alunos de colégios particulares de Higienópolis, bairro nobre da região central da cidade, bloquearam no início da manhã as avenidas Higienópolis e Angélica. O número de manifestantes não foi divulgado.

Por volta das 10h30, os estudantes se reuniram na Praça dos Arcos, também em Higienópolis, e fizeram uma roda de conversa sobre a educação.

Alunos fazem roda de conversa na Praça dos Arcos — Foto: Paula Paiva Paulo/G1
Foto: Alunos se reúnem na Praça dos Arcos – (Paula Paiva)

A escola particular Vera Cruz aderiu à greve. Nesta manhã, apenas funcionários da limpeza e um segurança estavam no colégio. A escola particular Oswald de Andrade, na Vila Madalena, Zona Sul, tinha um recado para os pais afixado na porta informando que apenas a recepção funcionaria.

Alunos do Colégio São Domingos fazem panfletagem explicando a paralisação em escolas de Perdizes — Foto: Paula Paiva Paulo/G1
Foto: Alunos do Colégio São Domingos – (Paula Paiva)

Alunos do Colégio São Domingos, em Perdizes, na Zona Oeste, faziam panfletagem explicando a paralisação em escolas da região. Eles se começaram a distribuição dos comunicados às 6h.

De acordo com o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), ao menos 30 escolas particulares não terão aulas nesta quarta.

Colégios públicos visitados pelo G1 nesta manhã também estavam com as portas fechadas. Entre elas estão as escolas estaduais Fernão Dias e Godofredo Furtado, ambas em Pinheiros, na Zona Oeste.

Bloqueio de verba

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de 30% na verba. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não deverão ser afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

Fonte: As informações são do portal de notícias ‘G1’.