No Itaim Paulista, na zona leste, mais especificamente no bairro do Jardim Romano, está o grupo de teatro Estopô Balaio. Formado em 2011, principalmente por migrantes do Rio Grande do Norte, Estopô apresenta a peça “A cidade dos rios invisíveis” até 9 de junho.

O diretor de teatro e pedagogo João Junior, 40, chegou de Natal em 2010 e foi morar na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Todavia, começou a trabalhar em um CEU (Centro Educacional Unificado) no Jardim Romano. No bairro, viu muitos migrantes nordestinos, encontrou gente do Rio Grande do Norte, mas do interior.

Questionava-se que nordeste era aquele que existia dentro da capital paulista e observava as mudanças territoriais no trajeto da Barra Funda para o extremo leste. “Era a minha grande questão o território que nos separa e cria cidades dentro de uma mesma cidade”, comenta. Mudou-se para o Jardim Romano e lá morou por quatro anos.

Montou o Estopô Balaio com outros amigos artistas que vieram de Natal e com o envolvimento da comunidade. Os moradores, inclusive, fazem parte do elenco em algumas encenações. Os espetáculos a “Cidade dos rios invisíveis” e o “O que sobrou do rio”, que foi apresentado em 2013 e início de 2014, são exemplos dessa interação.

O Jardim Romano é um bairro às margens do rio Tietê e fica próximo das cidades de Itaquaquecetuba e Guarulhos, na Grande São Paulo. Marcou presença nos noticiários por ter ficado debaixo d’água por três meses após uma enchente em dezembro de 2009. Os moradores andavam com água suja alcançando o joelho ou até a cintura

A água é um elemento recorrente nas produções do Estopô Balaio. Além do nordeste e do trem. Afinal, a população depende da linha 12-safira da CPTM. “Todo esse percurso da cidade é pelo trem. É no trem que as pessoas convivem sem saber que convivem. É onde você entra com o corpo fatigado. A água vem das enchentes e porque a linha [do trem] está margeada pelo rio Tietê”, explica.