Perda de vínculos familiares, desemprego, vício e até mesmo doenças mentais. São vários os motivos que podem levar uma pessoa para as ruas, por caráter temporário ou de forma permanente. Atualmente, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), conta com 97 serviços de acolhimento para pessoas em situação de rua que juntos disponibilizam mais de 23 mil vagas.

Nos serviços, os conviventes recebem kits de higiene e podem ter acesso a banho, refeições (café da manhã, almoço e jantar) e cama para o descanso. Nesses locais, as pessoas em situação de rua também são acompanhadas por psicólogos e recebem o atendimento social, além da possibilidade do encaminhamento para outros serviços públicos de acordo com a demanda de cada um.

Segundo o secretário-adjunto da SMADS, Douglas Gualberto Carneiro, o atendimento social irá guiar os próximos passos de cada pessoa dentro do serviço. “Por meio do trabalho e do atendimento social que é feito busca-se uma alternativa para cada pessoa. Seja a reparação de um vínculo familiar que foi rompido, retorno a um local de origem, inclusão no mercado de trabalho e outras alternativas que permitam o acesso a renda como os programas de transferência de renda”, explicou.

A rede de acolhimento oferece serviços específicos para pessoas com diversos perfis como idosos, famílias, mulheres com filhos, mulheres transexuais, entre outros. Atualmente, por exemplo, existem dois equipamentos para pessoas em situação de rua com diagnóstico ou suspeita de covid. O trabalho é feito em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde.

Abordagem Social

A SMADS conta com a atuação diária dos os orientadores socioeducativos que atuam nos Serviços Especializados de Abordagem Social (SEAS) fazendo as abordagens em pontos estratégicos da cidade, durante o dia, ofertando encaminhamentos à rede de acolhimento e outros serviços da rede pública. A aceitação é facultativa.

Na madrugada, a abordagem é realizada pela Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS), que deve ser acionada via Central 156, mas as pessoas em situação de rua também podem procurar os serviços espontaneamente.

Impactos da pandemia

Desde o início da pandemia houve uma ampliação na capacidade de atendimento dos serviços de acolhimento, além de serem tomadas todas as medidas sanitárias recomendadas como o uso do álcool em gel, respeito do distanciamento social e a suspensão de atividades coletivas.

A primeira mudança foi nos serviços já existentes. Antes da pandemia, alguns atendiam por 16 horas diárias. Hoje, todos os serviços funcionam por 24 horas. Com isso, também houve uma ampliação da equipe de profissionais (assistentes sociais, orientadores e agentes operacionais) para dar conta do atendimento nesses serviços.

Também foram abertas novas vagas de acolhimento em parceria com as secretarias municipais de Esportes e Lazer, e de Educação, que cederam áreas dos Centros Esportivos e dos Centros Educacionais Unificados (CEUs) para implementação de abrigos emergenciais. A SMADS também viabilizou vagas em Hotéis, além de implementar novos serviços.

“Foram mais de 1.900 vagas criadas durante a pandemia. Hoje, desse total, permanecem 1.300 em funcionamento, uma vez que os CEUs voltaram a ser utilizados pela Educação”, explicou o secretário-adjunto da SMADS, Douglas Gualberto Carneiro.

Imunização

Todas as pessoas com idade acima dos 60 anos que estão acolhidas nos serviços da rede socioassistencial foram imunizadas contra o coronavírus.

Os profissionais que atuam nos Centros de Acolhida também foram vacinados. A medida beneficiou, ainda, as pessoas que atuam nos Serviços Especializados de Abordagem Social (SEAS), nos Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centro POP) e nos Núcleos de Convivência.