O vice-presidente Hamilton Mourão disse na noite desta 3ª feira (14.jul.2020) que considera que o governo federal atuou como deveria para conter a pandemia do novo coronavírus. Ele ainda afirmou que não considera que as ações do presidente Jair Bolsonaro tenham influenciado na evolução da doença.

O governo federal agiu naquilo que era princípio dele“, disse Mourão em entrevista à GloboNews. Para o vice-presidente, o governo deveria atuar em 3 frentes: disseminação dos protocolos, logística de pessoal para suprir carência de profissionais da saúde em alguns municípios e aquisição e distribuição de insumos e equipamentos necessários.Publicidade

A realidade de ‘fecha ou abre’ tem que ficar a cargo de governadores e prefeitos. Não é daqui de Brasília que eu vou chegar e dizer ‘tem que abrir Manaus e fechar Porto Alegre’“, falou o vice-presidente. Apesar de se dizer satisfeito com as ações do governo federal, afirmou que “não posso ficar satisfeito com as consequências que a doença tem trazido para a saúde. Você ter mais de 70.000 pessoas que já foram a óbito, você não pode ficar batendo palma e achar que isso é normal“.

Perguntado se considerava que as ações e falas de Bolsonaro desvalorizavam os riscos da doença, ele disse que não: “se atribui ao presidente Bolsonaro uma capacidade de influenciar a cabeça de todas as pessoas no Brasil por determinadas expressões que ele coloca ou determinadas atitudes. Ele sofre uma oposição severa por parte de segmentos da ciência, segmentos da política, da sociedade civil em relação a essas manifestações. O presidente tem a visão dele a esse respeito, mas em nenhum momento ele impôs essa visão”.

Para Mourão, as opiniões e atitudes de Bolsonaro “não tiveram reflexo no resultado que vemos hoje“. “Talvez tivéssemos 1 menor número de casos, 1 menor número de óbitos, mas pelas características do nosso país, chegaríamos a uma situação complicada“, disse ele.

SUBSTITUIÇÃO DE PAZUELLO

Ainda falando sobre saúde, Mourão avaliou que Bolsonaro deve substituir o general Eduardo Pazuello na Saúde “em momento próximo“. Pazuello ocupa interinamente a pasta desde a saída de Nelson Teich, em 15 de maio. “[Pazuello] está há dois meses no cargo. Tudo indica que, em um momento próximo, o presidente vai substituí-lo“, declarou Mourão.

MEIO AMBIENTE

Mourão comentou a fala de Ricardo Salles (Meio Ambiente) na reunião ministerial de 22 de abril, quando o ministro disse que o governo deveria aproveitar a pandemia para “passar a boiada” e simplificar normas ambientais. “Eu não sou o tutor do ministro Ricardo Salles, mas hoje o principal problema que salta aos olhos do mundo é o problema ambiental“, disse.

Quando o ministro Salles naquela reunião falou essa famosa história de ‘passar a boiada’, ele se referia a medidas infralegais de todos ministérios, questões de desburocratização que estão travadas. É óbvio que o ministro entrou no imaginário de todos como inimigo número 1 do meio ambiente, e na realidade ele não é isso. Como todos nós, às vezes comete algum erro. A visão dele é uma visão de preservação usando mais o lado da economia do que da repressão pura e simples“, afirmou o vice-presidente.

Durante a entrevista, Mourão minimizou a carta enviada por ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central. O grupo pediu por uma retomada do crescimento econômico pós-pandemia atenta às mudanças climáticas e pelo fim do desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

“Todos os pontos colocados são extremamente pertinentes. Mas alguns daqueles que assinaram essa carta são culpados de muitos problemas que enfrentamos hoje. Parece que esqueceram de planos econômicos que fizeram ao longo de sua vida e que resultaram em desastres“, disse o vice-presidente. “Hoje temos resultado ruim em termos do desmatamento na Amazônia e as consequências deles, que são as queimadas. Temos como planejamento, até final de 2022, as operações de comando e controle, ou seja, a repressão“, completou.

Fonte: MSN