Bloco de 58 anos proporcionou mais um dia de festa pelas ladeiras do Sítio Histórico, nesta Quarta de Cinzas (26).

Orquestra de frevo, bonecos gigantes e dezenas de foliões seguiram o tradicional estandarte de bacalhau pelas ruas e ladeiras do Sítio Histórico de Olinda, nesta Quarta de Cinzas (26). O Bacalhau do Batata completou 58 anos mostrando que é possível brincar mais um dia no carnaval

Por volta das 10h30, os clarins anunciaram a saída do cortejo do Alto da Sé. A chuva não desanimou o público, que fez o percurso ao som do frevo. Além do boneco de Batata, o fundador do bloco, outros acompanharam o desfile.

Bonecos gigantes desfilam junto com o bloco Bacalhau do Batata nesta quarta-feira (26) — Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press

Porta-estandarte oficial do bloco há anos, Maria José Neves, mesmo com problemas de saúde, marcou presença no posto. “Ano passado não pude vir, porque estive muito doente. Graças a Deus pude ver meu bloco sair este ano e acompanhá-lo. Estou feliz”, contou ela, que levou o símbolo do bloco por parte do percurso.

Pernambucanos e turistas dividiram espaço nas ladeiras atrás do bloco. O dançarino mineiro André Fonseca, de 50 anos, trocou o carnaval mineiro há sete anos pela folia pernambucana e todos os anos distribui apitos aos foliões.

“A gente não encontra festa assim em outro lugar. Por isso, estou aqui todos os anos. Não tem como não ser apaixonado por esse carnaval. Quarta de Cinzas e o pessoal ainda tem essa energia. É maravilhoso”, contou André.

Maria José Neves desfila desde o primeiro ano do Bacalhau do Batata e é a porta-estandarte oficial do bloco — Foto: Caíque Batista/G1

Entre os “incansáveis”, estavam também a mineira Paula Oliveira, de 45 anos, e o gaúcho Flori Machado, de 65, que moram em Brasília e acompanham o bloco há 13 anos. “A gente vê isso aqui tão lotado nos outros dias. Quando vejo o ‘Batata’ continuando a arrastar esse povo todo, lembro o quanto esse carnaval foi bom”, disse Paula.

Moradores de Olinda, Ricardo Gusmão e Selma Valongueiro contaram ter duas décadas de participação no bloco. “Curtir o carnaval de Olinda e não vir ao Bacalhau não é a mesma coisa. Ele é o encerramento do frevo por aqui”, falou Ricardo.

Moradores de Olinda, , Ricardo Gusmão e Selma Valongueiro fecham a folia com o Bacalhau do Batata há mais de 20 anos — Foto: Caíque Batista/G1

Já Gennifer Ferreira, de 35 anos, levou a filha Paola Ferreira, de 5 anos, para conhecer o bloco. “Ela espera o ano inteiro pelo carnaval. Adora desde muito nova. Trouxe para o Bacalhau para ela ver que o carnaval não termina na terça-feira”, relatou.

História

O bloco foi criado em 1962 por Izaías Pereira da Silva, conhecido como Batata. Era uma alternativa para aqueles que trabalham durante todo o carnaval também aproveitarem um pouco, mesmo que fosse apenas para se despedir dela. Batata faleceu em 1993, mas deixou uma missão para família e amigos: continuar colocando o Bacalhau na rua 

“Desde criança que eu vejo esse bloco sair, organizado antes por meu tio Batata, depois pelos meus avós. Hoje, eu coloco ele na rua com a minha mãe para continuar o legado do meu tio-avô, que pediu para prosseguirmos com o bloco”, disse Ícaro Araújo, de 35 anos, filho de Maria de Fátima Araújo, atualmente presidente do Bacalhau do Batata.

Enquanto organizava os últimos preparativos para colocar os estandartes e orquestra na rua, Maria de Fátima, de 56 anos, relatou que é uma honra continuar o legado da família.

“Eu digo o que Batata dizia: meu principal objetivo é fazer o povo sorrir e pular frevo na ‘quarta-feira ingrata’. Ele se foi, mas ficou eternizado por meio do bloco que criou. Não tem honra maior do que fazer o legado dele permanecer e ficar maior a cada ano”, disse a presidente do bloco.

Clarins anunciaram a saída do Bacalhau do Batata do Alto da Sé, em Olinda — Foto: Caíque Batista/G1