De: Divaldo Rosa

A Vila Itaim e a Vila Seabra, localizadas na subprefeitura de São Miguel Paulista nas margens do Rio Tietê está comemorando 60 dias de alagamentos nos bairros, sem que seja tomado uma decisão concreta para solucionar o problema. Apenas paliativos como algumas bombas de baixa sucção e visitas esporádicas da Defesa Civil, assistentes sociais e outros departamentos da subprefeitura.  Alguns moradores já estão apelidando o local de “Nova Veneza”, inclusive com direito a uma versão mais pobre de gôndolas, às vezes barco inflável e até caixa d’água de PVC está sendo usado para transportar moradores de suas residências até os locais secos.

Segundo nos informou a Alcione Castro Dantas, moradora a 16 anos na Rua Simão Rodrigues Moreira, Vila Itaim, a situação chegou a um ponto de desespero e abandono. “Eu nunca tinha me sentido tão excluída, mas depois do que está acontecendo aqui na Vila Itaim, não tenho dúvidas em afirmar que o prefeito Bruno Covas e o governador João Doria nos abandonaram à própria sorte”. Dona Alcione disse que seus filhos não estão indo para as escolas a mais de um mês, devido ao alagamento de sua rua.

Ainda segundo os moradores a água está com um cheiro horrível, causando diarréia, dor de cabeça e vômitos. “Não estamos querendo apenas colchões e sexta básica, queremos solução para o nosso problema”, desabafou outra moradora que não quis ser identificada.

Para o André morador da Rua Simão Rodrigues Moreira, Vila Seabra “a região está abandonada e existe um absoluto descaso pela prefeitura. Em minha rua tem locais que a água parada esta acima do joelho e fede muito, inclusive tenho um vídeo mostrando a água cheia de larvas boiando na água com cheiro de esgoto”

Foto: Moradores ilhados por conta das enchentes.

Moradores estão se organizando para exigir ações efetivas do prefeito

Os moradores da região estão se organizando para exigir mais atenção de seus representantes na Câmara de Vereadores e do prefeito da cidade. “Um caminho está sendo aglutinar vários moradores em grupos de whatz e compartilhar mais rapidamente as informações do que está acontecendo, reuniões, ruas alagadas, etc. Foi assim que surgiu o grupo Emergência Vila Seabra”, disse o morador Deivid Golias, um dos administradores do grupo.

Basta conversar com os moradores que a revolta deles aparece nas palavras simples. “A gente já ficou preso dentro de várias enchentes, mas agora é diferente, nós estamos presos dentro de um esgoto”, desabafa a Dona Maria.  “Gente não adianta esperar nada desse subprefeito Edson Marques e muito menos de assistente social porque eles vêem aqui, fala e desconversa, mas não vão resolver nada”, disse outra moradora que não quis se identificar

O Parque Várzea Tietê – Jardim Helena é culpado?

Alguns moradores estão desconfiados que a obra do Parque da Várzea do Tietê pode ter parcela de responsabilidade com os alagamentos e pelas águas não estar baixando. “Já que esse parque de merda é responsável pela nossa desgraça, vamos todos acampar dentro do parque, pelo menos lá vamos ficar em local seco”, disse uma moradora que não quis se identificar.

“Eu arrumei uma bota de cano até acima do joelho, mas agora acho que nem com essa eu vou conseguir sair de casa sem molhar com essa água horrível” disse a moradora Rosângela.

Foto: Moradores enfrentando as enchentes.

Os moradores da Vila Seabra e Vila Itaim estão mobilizando uma reunião na próxima quinta-feira na Vila Seabra, onde estará um vereador e os moradores exigem a presença do subprefeito de São Miguel. “Precisamos fazer uma grande mobilização parar uma grande avenida ou até mesmo a Rodovia Ayrton Sena, só assim vamos chamar a atenção do governo e do prefeito Bruno Covas”,

“Eu tenho 51% de chance de retirar a água e 49% de chance de a água voltar”

Foto: Saco com um cachorro morto.

Falando para um grupo de moradores da Vila Seabra o subprefeito de são Miguel, Edson Marques disse: “Eu tenho 51 de chance de retirar a água e 49% de chance de a água voltar”. E pressionado pelos moradores, completou: “ Eu concordo que está complicado, está ruim mesmo, estamos tirando (a água) daqui e jogando ali e ela está voltando, não tem jeito mesmo, é uma crise, uma calamidade pública. Vamos tentar fechar com caminhões de terra as entradas das ruas onde as águas estão voltando e fechar as galerias que também estão entrando água”.  Indagado sobre um canal que está entupido, Edson Marques disse: “ Eu já vi o canal, eu conheço ele era bem maior e agora está pequenininho, está todo estrangulado”.

A seguir, veja um vídeo gravado por uma morada para mostrar os transtornos ocasionados pela água poluída:

Filmagem feita de um celular.

Fonte: As informações são da redação do ‘Acontece Agora’.