Caos em SP: não tem investimento, nem metade do orçamento de prevenção a enchentes

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A cidade de São Paulo entrou nesta segunda-feira 10/II em modo caótico, em meio às chuvas que caem desde o domingo. As Marginais Tietê e Pinheiros tiveram trechos intransitáveis e houve um verdadeiro pandemônio na circulação do transporte público (ônibus, metrô e trens). Diante disso, a Prefeitura suspendeu o rodízio de veículos e o Corpo de Bombeiros recomendou que a população não saísse de casa.

Segundo dados dos Bombeiros divulgados por volta das 13h30, a Grande São Paulo tinha 796 acionamentos para enchentes, 120 para quedas de árvores e 140 para desabamentos e desmoronamentos. Uma pessoa ficou ferida num desabamento em Pirapora de Bom Jesus e outra foi ferida em um deslizamento em Osasco. Duas pessoas estão desaparecidas em Botucatu, segundo a Defesa Civil. 

O governo estadual e a Prefeitura (ambos nas mãos do PSDB) culparam a “chuva excessiva” pelos muitos transtornos.

“É uma cidade extremamente impermeabilizada, não há absorção. Os sistemas de piscinão funcionaram até o limite, os sistemas de bombeamento funcionaram até o limite, mas o que ocorreu foi: excesso de chuva em um período pequeno”, disse o Secretário Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido.

Mas há um “detalhe” que o discurso oficial “se esquece” de mencionar: como informou a rádio CBN no dia 7/I deste ano, a gestão do tucano Bruno Covas tinha em caixa mais de R$ 833 milhões para gastar em obras de prevenção a enchentes e manutenção de córregos e galerias pluviais em 2019, mas investiu menos da metade desse valor: cerca de R$ 385 milhões.

Além disso, as secretarias municipais de Infraestrutura e Obras e de Desenvolvimento Urbano, além de 13 subprefeituras, tinham mais R$ 180 milhões para canalização de 13 córregos, manutenção de sistemas de drenagens, ampliação de galerias pluviais e construção de piscinões. Nada foi executado.

Para a construção de um piscinão no Córrego da Mooca, na Zona Leste, havia R$ 400 mil disponíveis. Já para a ampliação da rede de galerias pluviais em Sаnto Amaro foram R$ 200 mil orçados. Outros R$ 100 mil estavam em caixa para as canalizações dos córregos do Cordeiro e Zavuvus, na Zona Sul.

Mas não foi só a Prefeitura. Em 15/I, o portal G1 informou que o estado de São Paulo, sob o comando de João Doria (PSDB), investiu apenas 60% do orçamento para o combate a enchentes: eram R$ 364 milhões previstos, mas apenas R$ 220 milhões foram efetivamente gastos.

Reportagem publicada pelo Globo nesta segunda mostra, também, que no final de 2019 a Prefeitura anunciou a conclusão de cinco piscinões. O número, no entanto, está abaixo da meta de 19, prevista no início do mandato, em 2016. De 19, deverão ser construídos apenas 13. Até agora, só 8 foram entregues (42%).