Em justificativa, superintendente no RJ afirmou que atuação complementar da PF resultaria num ‘aumento desmedido das pendências periciais das investigações federais’. Nesta quinta-feira (29), a Polícia Civil faz a reprodução simulada da morte do menino.

A Polícia Federal (PF) negou o pedido feito pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para a realização de um novo exame de confronto balístico na investigação da morte do menino João Pedro.

O adolescente, de 14 anos, foi baleado durante uma operação policial no Complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), no dia 19 de maio deste ano.

Nesta quinta-feira (29), será realizada a reprodução simulada da morte de João Pedro, pela Polícia Civil, prevista para começar às 10h.

A Polícia Civil do RJ constatou que o adolescente foi atingido por um disparo de fuzil calibre 5,56, mas não conseguiu identificar de qual arma saiu o tiro. Policiais que participaram da operação portavam armas desse calibre.

João Pedro Mattos Pinto, morto em operação em São Gonçalo — Foto: Reprodução/TV Globo

Como a perícia da Polícia Civil foi inconclusiva, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MPRJ, que atua no caso, concordou com o pedido da Defensoria Pública estadual (DPRJ) para uma nova análise e fez o requerimento à PF.

A expectativa da Defensoria era que a PF, com mais recursos, pudesse esclarecer de qual arma partiu o disparo que matou João Pedro. No entanto, em resposta à solicitação, a corporação informou que estava impossibilitada de atender à solicitação.

“A estrutura pericial da PF é dimensionada, qualitativa e quantitativamente (em sentido humano e material), em congruência com as atribuições constitucionais e legais do órgão, que, notoriamente, possui competência numerus clausulus, e, portanto, responde por uma parcela relativamente pequena das demandas criminais, se comparadas às amplas funções que recaem sobre as forças repressivas estaduais”, escreveu o superintendente da PF no RJ, Tácio Muzzi.

Em outro trecho do ofício, o superintendente afirma que uma atuação complementar da PF resultaria num “avolumamento (aumento) desmedido das pendências periciais das investigações federais”.

Reconstituição da morte de João Pedro

A polícia pretende reunir um grande efetivo para realizar a reconstituição da morte de João Pedro nesta quinta, já que o local do crime é uma área de muitos confrontos.

Todos os policiais e testemunhas do caso foram convocados para participar do trabalho, que reunirá peritos e investigadores da polícia e do Ministério Público estadual.

A Defensoria Publica também acompanhará a reconstituição, e o helicóptero da Polícia Civil será destacado para participar do evento.

No dia de sua morte, João Pedro chegou a ser socorrido em uma aeronave da polícia e levado para o heliponto na Lagoa, Zona Sul do Rio.

O defensor público Daniel Lozoya, responsável pelo caso, disse que testemunhas estão “receosas” de voltar à casa onde João Pedro foi atingido.

“Uma ontem teve crise, chorando compulsivamente, um outro desde ontem não consegue comer nada. Vai ser uma barra, mas Deus tá no controle”, disse um parente de João Pedro.