Público acompanha a disputa do concurso de cosplay na PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1
Público acompanha a disputa do concurso de cosplay na PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1

Há quem brinque que é preciso ser bilionário como Tony Stark para frequentar eventos como a CCXP, maior convenção de cultura geek do país. Isso por conta dos altos preços dos ingressos e dos produtos vendidos lá, o que restringe bastante o perfil do público.

Eis que surge uma esperança.

Público lota a área de venda de quadrinhos da PerifaCon. Espaço buscou dar abertura para obras com temas da periferia — Foto: Fábio Tito/G1
Público lota a área de venda de quadrinhos da PerifaCon. Espaço buscou dar abertura para obras com temas da periferia — Foto: Fábio Tito/G1

Milhares de pessoas participaram neste domingo (24) de um evento inédito de cultura geek voltado para a periferia de São Paulo. Inspirada nas comic cons, a PerifaCon acontece de graça na Fábrica de Cultura do Capão Redondo com programação que inclui de venda e autógrafo de quadrinhos a oficinas de RPG, shows, palestras e concurso de cosplay.

Cerca de 4 mil pessoas compareceram ao evento, segundo estimativa divulgada pela organização.

Com 2.700 pessoas inscritas antecipadamente, o evento atraiu outras centenas de interessados que compareceram ao local para a inscrição na hora. Isso resultou em uma longa fila que se estendeu pela Rua Algard, quiçá prima pobre de Asgard, lar de Thor e dos deuses nórdicos.

A fila formada desde cedo andou lentamente e chegou a ser interrompida por cerca de 40 minutos, devido ao limite da capacidade dos 7 andares do prédio dedicados à PerifaCon.

Perto do final, muita gente preferiu deixar a fila para acompanhar o concurso de cosplay, realizado no ginásio e com acesso livre.

Entre os cosplayers, um dos que mais chamou atenção foi o do personagem principal de “Pantera Negra”, filme da Marvel exaltado pela comunidade negra ao redor do mundo por sua representatividade. Nada parecia ser coincidência no Capão.

Cosplay de Deadpool posa diante da entrada da PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1
Cosplay de Deadpool posa diante da entrada da PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1

Aprovação do público

“É bem legal, incentiva bastante a periferia. A CCXP é muito cara, não é para todo mundo. Eu não achei que ia ser tão grande como está sendo. Estamos muito felizes com o evento”, conta Douglas Moreira, de 32 anos, técnico em enfermagem.

Ele e a mulher, Luciana Cristina, 34 anos, também técnica em enfermagem, são moradores de Taboão da Serra e foram com os filhos caracterizados de Família Incrível. Até o filhinho bebê entrou na brincadeira.

Vinicius Silveira Libório, de 26 anos, conta que participa como aprendiz de atividades da Fábrica de Cultura desde 2013. Deficiente visual, ele foi sozinho ao evento e se empolgou com as oficinas de jogos em grupo.

“Está muito bom, principalmente a primeira sala, de games. Joguei um jogo em que você tem que bater papo e descobrir quem é o jogador misterioso, é ótimo! Um evento desses [como a CCXP] é 200, 400 conto. E aqui é do lado de casa, tem que aproveitar quando tem essas coisas de graça”, afirma.

Rafael Souza Lima, de 33 anos, gerente comercial, e Heidi Pulei, de 39, enfermeira, levaram as filhas Sophia, de 10 anos, e Isadora, de 1, fofura em forma de Pikachu que atraía olhares e sorrisos do colo da mãe.

“Sempre fui nesses eventos pagos e centralizados, mas periféricos nunca. Dificilmente tem. A iniciativa é bem legal, é importante. Meus pais moram aqui perto no Capão, mas a gente veio pelo evento mesmo”, diz Rafael, morador da Vila Sônia, na Zona Oeste.

Cosplayers

Bem como nas grandes Comic Cons, os cosplayers mais produzidos se tornam quase celebridades no evento, sendo parados para fotos a todo momento.

Foi o caso das irmãs Taís e Amanda Alcântara, moradoras de Taboão da Serra, respectivamente de 28 e 26 anos, uma professora, a outra auxiliar administrativa. Taís foi de Daenerys, de “Game of Thrones”, e Amanda foi de Caçadora, personagem de quadrinhos da DC.

As irmãs Amanda (esq.) e Taís Alcântara posam como cosplays de Caçadora e Daenerys com a vista do Capão Redondo ao fundo durante a PerifaCon — Foto: Fábio Tito/G1
As irmãs Amanda (esq.) e Taís Alcântara posam como cosplays de Caçadora e Daenerys com a vista do Capão Redondo ao fundo durante a PerifaCon — Foto: Fábio Tito/G1

“Está muito legal a animação do público. Tem mais crianças, bem mais do que outros eventos em que já fomos. É muito válido por ser aqui no Capão”, diz Taís.

As duas já participaram de diversos eventos de cosplay mas nunca conseguiram ir à CCXP, justamente por conta do preço. “Fomos no Anime Friends, Ressaca Friends, Anime Dreams… A gente geralmente paga uns R$ 50 em média, a CCXP é mais cara”, afirma Amanda.

Rappers BR como heróis

Os cartunistas Load (esq.) e Loud, orgulhosos da exposição 'Rap em quadrinhos' que fez parte da PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1
Os cartunistas Load (esq.) e Loud, orgulhosos da exposição ‘Rap em quadrinhos’ que fez parte da PerifaCon, no Capão Redondo — Foto: Fábio Tito/G1

Fãs de HQ puderam ver uma exposição que retrata rappers brasileiros como super-heróis. Estão lá Criolo, Sabotage, Negra Li, KL Jay e muitos outros, ilustrando as capas de HQs fictícias.

A autoria é dos artistas Load e Loud, que estavam radiantes com a aceitação.

“Esse evento para mim é surreal, muito emocionante. Muito legal a diversidade, diferente do público mais elitista de outros eventos. Aqui na nossa palestra as perguntas foram diferentes, a troca é muito boa. Olha como isso está bonito!”, diz Load olhando o local lotado.

Homem-Aranha salta para foto durante a PerifaCon — Foto: Fábio Tito/G1
Homem-Aranha salta para foto durante a PerifaCon — Foto: Fábio Tito/G1

Fonte: As informações são do portal de notícias ‘G1’.