Joe Biden, pré-candidato à presidência dos EUA, tira selfie durante discurso, em 4 de março de 2020 — Foto: Frederic J. Brown / AFP

Superterça confirmou a volatilidade desta campanha democrata. Da UTI, onde ingressou nas primeiras prévias do partido, o ex-vice-presidente Joe Biden saiu revigorado, com pelo menos nove vitórias na manga. Na mais surpreendente, conquistou o maior número de delegados no Texas, o segundo estado mais populoso entre os 14 que estavam na disputa.

Superterça confirmou a volatilidade desta campanha democrata. Da UTI, onde ingressou nas primeiras prévias do partido, o ex-vice-presidente Joe Biden saiu revigorado, com pelo menos nove vitórias na manga. Na mais surpreendente, conquistou o maior número de delegados no Texas, o segundo estado mais populoso entre os 14 que estavam na disputa.

Biden já respira sem ajuda de aparelhos, energizado por eleitores negros em estados do Sul, por indecisos que cravaram, na última hora, seu nome na cédula, e pelos apoios de ex-pré-candidatos que até semana passada estavam na disputa.

Soube aproveitar o momento na Carolina do Sul, consagrado nas redes sociais como #Joementum. Mas não previu que ressurgiria com tamanha força, vencendo em estados inesperados, como Minnesota, onde sequer fez campanha, favorecido pela desistência da senadora Amy Klobuchar.

É prematuro afirmar que a onda Biden derrubará o senador Bernie Sanders. Ele tem fôlego na sua base jovem e hispânica e num sistema organizado de doações. Lidera a apuração na Califórnia, o estado que fornece 415 delegados à convenção democrata, e tem vitórias asseguradas em Vermont, Colorado e Utah.

Ainda assim, Sanders amargou claras dificuldades na noite de terça-feira. Em Vermont, seu domicílio eleitoral, não conseguiu impedir que Biden ultrapassasse o limite de 15% necessários para conquistar delegados. No Colorado, venceu com margem inferior em relação às primárias de 2016.

A repentina recuperação do ex-vice-presidente praticamente varreu do mapa eleitoral o ex-prefeito Michael Bloomberg e sua aposta de US$ 500 milhões. A estreia do magnata nas urnas foi um fiasco. Com apenas uma vitória no longínquo território de Samoa Americana, ele abandonou a corrida para apoiar Biden. Sobrou a senadora Elizabeth Warren, que foi derrotada até em Massachusetts, seu reduto eleitoral, mas ainda não sinalizou a intenção de desistir.

Os resultados desta Superterça revelaram ineditismo tanto para Biden quanto para Sanders e prenunciam uma corrida prolongada para a escolha do candidato que enfrentará o presidente Donald Trump em novembro.

Posicionam o eleitor democrata diante de uma bifurcação com dois caminhos a seguir: um à esquerda, que promete a reestruturação nas instituições; e outro ao centro, nos moldes da era Obama. Em outras palavras, a escolha entre a revolução do sistema e a restauração do legado do ex-presidente democrata.

Ambas as tendências ficaram claras nos discursos dos candidatos a seus partidários. Biden se mostrou acolhedor e interessado na unificação do partido; Sanders, raivoso e crítico das políticas que representam o adversário. A corrida afunilou, mas não encurtou.