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InícioEmpregoÉ possível voltar a amar seu trabalho; veja como nesses três passos

É possível voltar a amar seu trabalho; veja como nesses três passos

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Mesmo que você tenha conseguido manter seu emprego na pandemia, é provável que ele tenha mudado de forma significativa; e a mudança nem sempre significa para melhor

Nosso equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com frequência, tem passado pela sensação terrível de desconexão entre corpo e mente. O sentimento é parecido com o descrito pela ginasta Simone Biles recentemente, durante as Olimpíadas de 2020. No último ano e meio, muitos de nós tivemos que se adaptar ao home office, aos ajustes e acomodações, demissões, reinvenções de carreira e recontratações.

Mesmo que você tenha conseguido manter seu emprego nesse período, é provável que ele tenha mudado de forma significativa. E a mudança nem sempre significa para melhor.

Mesmo antes da Covid-19, mais da metade dos norte-americanos achava seu trabalho insatisfatório, de acordo com uma pesquisa anual feita pelo grupo Conference Board. Os números acumulados mostram que os EUA estavam lidando com a insatisfação com o trabalho desde pelo menos o ano 2000.

De acordo com essa estatística, metade das pessoas com quem você trabalha todos os dias vive uma vida profissional que o escritor Henry David Thoreau teria descrito como de “desespero silencioso”.

Felicidade na vida profissional

Muitos de nós também confundem autoestima com carreira, o que é infrutífero. Nossa infelicidade no trabalho se transforma em infelicidade na vida, o que só piora o quadro.

Não seria bom deixar de ter inveja daqueles que amam seu trabalho e se tornar uma dessas pessoas?

Há muitos conselhos de carreira por aí sobre como pedir um aumento, conseguir uma promoção, lidar com um chefe difícil, gerenciar equipes e assim por diante. Mas há muito pouco sobre a questão fundamental da felicidade na rotina do trabalho.

Os fatores que podem inclinar a balança de uma forma ou de outra para a felicidade no trabalho podem se resumir ao nosso desejo inato por três coisas: controle sobre nossas vidas, conexões diárias positivas e alegria e significado em como passamos nosso tempo acordado (metade dele no trabalho, para a maioria das pessoas).

Há uma maneira de integrar nossa necessidade de controle, conexão e significado. E ela é pelo “job crafting”, que pode ser traduzido como “emprego moldado à mão”. Esse é o termo usado pela psicóloga Amy Wrzesniewski, da Universidade de Yale, e por Jane E. Dutton, professora de administração de empresas e psicologia da Universidade de Michigan. Trata-se de “assumir o controle ou reformular alguns desses fatores”, conforme as duas escreveram em estudo sobre o assunto.

O problema não é o trabalho

Pessoas que não gostam de seus empregos (e elas são muitas) podem sofrer e reclamar sobre isso diariamente. Elas podem até estar cronicamente estressadas, um estado que tem consequências médicas graves, de hipertensão e doenças cardiovasculares à diminuição da saúde mental, de acordo com uma meta-análise de estudos da Stanford Graduate School of Business e da Harvard Business School.

Existem também fatores relacionados à felicidade no trabalho sobre os quais temos pouco controle, como o comportamento dos nossos chefes. Cerca de metade das pessoas que pediram demissão queriam “fugir do gerente”, de acordo com uma pesquisa Gallup recente. Os salários também são importantes.

Mas geralmente não decidimos quem é nosso chefe, e ele pode mudar repentinamente (para bem ou para mal). Quanto ao dinheiro, estudos mostram que esse fator tem apenas um efeito de curto prazo na felicidade.

Se você não pode mudar o chefe e a questão financeira não é o ponto principal, o restante pode ser mudado e a mudança está em suas mãos.

A pesquisa de Wrzesniewski e Dutton enfocou três fatores principais de maior satisfação no local de trabalho que estão dentro de sua esfera de influência:

1) refinar seu trabalho para adicionar partes de que você gosta e remover as que não gosta;

2) construir melhores relacionamentos com seus colegas; e

3) reformular seu trabalho para adicionar significado e propósito.

Wrzesniewski os destilou muito bem no excelente podcast de ciências sociais The Hidden Brain (em inglês). A pesquisa não é apenas teórica. As duas professoras e psicólogas escreveram um manual de instruções sobre como moldar seu trabalho com suas próprias mãos.

Desenvolvi do meu jeito, menos científico e mais prático, alguns exercícios para obter a felicidade no trabalho.

1) Haja como um hacker para investigar seu trabalho

Comece fazendo três listas. De preferência, faça isso com uma boa xícara de café ou chá em um local tranquilo, durante o horário de trabalho, mesmo que seja em sua própria sala de estar durante o home office.

A primeira lista contém todas as coisas de que você gosta no seu trabalho, grandes e pequenas. A segunda lista todas as dificuldades e dores de cabeça do seu emprego, das mesquinhas às sistêmicas.

Já a terceira lista as coisas que você gostaria de fazer em seu trabalho e que atualmente não consegue – mesmo que elas não tenham nada a ver com o que você é pago para fazer. Você pode adicionar, por exemplo, “fazer mais pausas para o café para deixar a mente vagar”.

Em seguida, é hora de atacar sistematicamente os itens das listas dois e três. Procure, primeiro, algumas coisas fáceis de superar. Algumas você pode começar a adicionar e subtrair hoje; outras podem levar meses. Certos itens podem exigir a adesão de seu chefe (que, com sorte, será receptivo para aumentar sua felicidade no local de trabalho), mas muitos não. Algumas mudanças estarão diretamente relacionadas ao seu trabalho, enquanto outras serão apenas formas de aumentar a felicidade ou reduzir o estresse enquanto estiver lá.

É tudo progresso.

Seja criativo com essas listas. A criatividade em si é um impulsionador de bem-estar. Eu, por exemplo, vejo a escrita desta coluna como algo útil ao meu trabalho. Ao escrever estes textos, não só abordo benefícios para a empresa que estão ao meu alcance, como faço algo que me deixa feliz (e acrescenta significado ao meu emprego). Eu também tento fazer minha prática de exercícios durante o horário comercial, seja no intervalo do almoço ou correndo durante uma reunião online na qual não preciso falar, só ouvir. Ou seja, de novo é uma questão tanto de reduzir o estresse e melhorar a saúde e minha energia no trabalho, como também de me beneficiar pessoalmente.

Fonte: CNN

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