Escola Municipal de Astronomia e Astrofísica de São Paulo também não possui a licença. A CBN obteve acesso a documentos que apontam risco de colapso de um muro que sustenta o Planetário do Parque do Carmo. Documentos de 2017 já apontavam infiltrações e condições insalubres nos prédios e, desde então, nenhuma obra foi realizada por falta de orçamento.

A CBN já havia publicado relatórios da prefeitura que indicavam desde 2017 que há infiltrações que, além de colocar em risco principalmente os equipamentos elétricos, tornam insalubres algumas dependências do prédio da Escola Municipal de Astrofísica. Um relatório mais recente é de fevereiro e aponta agora rachaduras e risco de colapso em um muro de contenção no planetário do Carmo, na Zona Leste.

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente é a responsável pelos planetários de São Paulo. O chefe de gabinete, Rodrigo Ravena, classificou esses novos riscos como “exagerados”, assim como já havia feito quando questionado no fim do ano passado.

Mas não é assim que os frequentadores dos planetários enxergam a questão. Na noite desta quarta-feira teve uma aula aberta ao público no planetário do Ibirapuera, na Zona Sul. E essa foi a reação de quem descobriu que o prédio não tinha o auto de vistoria logo depois de assistir a aula:

“É complicado, né? Saber que isso aqui não tem vistoria, não tem nenhuma segurança para quem usa”, lamenta a estudante Thaís Regina.

“É uma coisa bastante preocupante num equipamento desse que serve para difundir o conhecimento científico numa época dessas que a gente vive, né? Tem que ser conservado, tem que ser adequado a trazer mais visitantes para que esses visitantes possam ter segurança, principalmente”, defende o biólogo Ofir Godoy.

“A gente percebe que o funcionamento daqui é graças aos funcionários que ainda restam. E funciona graças ao milagre e ao amor pela astronomia que as pessoas aqui têm. Porque é um absurdo o abandono e o descaso”, critica a servidora pública Nayara Pantani. 

Esses problemas estruturais impedem a secretaria de obter um documento fundamental para o funcionamento de qualquer edifício no estado, o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros. Os dois planetários, assim como o prédio da Escola Municipal de Astrofísica estão há quatro anos sem licença para funcionar. O órgão responsável pela gestão desses edifícios é a Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz, a Umapaz. Mas nem o prédio da Umapaz tem o AVCB. A prefeitura alegou que não existem recursos disponíveis para essas obras no momento. 

O parque do Ibirapuera em breve deve ser concedido para a iniciativa privada. A empresa vencedora da licitação deve começar a atuar até setembro e deve assumir as obras. Já o planetário do Parque do Carmo deve contar com recursos de fundos municipais. Mesmo assim, Ravena explica que ainda não há previsão do lançamento de um edital.

“A gente abriu um procedimento já em fevereiro, começo de março, para iniciar a licitação para fazer essas obras caso a gente não consiga ter a licitação concluída. A gente está caminhando paralelamente com a elaboração dos planos diretores e assinatura de contrato com um processo interno para fazer essas obras num caso extremo de a gente não conseguir conceder. Porque essas obrigações de obras estão na licitação, são obrigação do concessionário”, afirma Ravena.

Outro problema denunciado pela CBN esse ano era a falta de funcionários. O planetário, que já contou com 33 pessoas na equipe em 2016, agora tem oficialmente 17. Mas uma reportagem publicada em maio revelou que pelo menos oito pessoas que ocupavam cargos vinculados aos planetários nunca haviam aparecido para trabalhar. Rodrigo Ravena afirmou que nomeou os novos funcionários essa semana, assim como o novo diretor, João Eduardo de Souza da Fonseca. A Secretaria levou dois meses para encontrar um substituto para Fernando Nascimento, exonerado sob a alegação de que os planetários passavam por remanejamentos planejados.