A Defesa Civil interditou só nos meses de janeiro e fevereiro deste ano 26 imóveis na cidade de São Paulo. O número é metade do total de imóveis interditados nos 12 meses do ano passado. Os dados foram divulgados pelo SP1 e foram disponibilizados via Lei de Acesso à Informação.

Parte dessas casas interditadas fica no Jardim Iguatemi, na Zona Leste, onde houve dois deslizamentos de terra em 15 dias – o último ocorreu nesta quinta-feira (28).

Parte dos imóveis foi interditada sem previsão de liberação. Os moradores desabrigados disseram se sentir abandonados pelo poder público, sem informações sobre o projeto de revitalização ou limpeza da área.

Há cerca de duas semanas outro deslizamento de terra condenou algumas casas no mesmo bairro. Sem outro lugar para viver, alguns moradores insistiram em continuar nos imóveis interditados, outros têm morado de favor.

Lama na porta de casa

Na manhã desta sexta-feira (1), nenhum órgão público atuava no local, mas uma grande quantidade de terra ainda ocupava a rua Miguel Fernandes. A lama se concentrava em frente a casa de Ângela Aparecida de Souza Rodrigues, que teve o portão atingido e as colunas do imóvel danificadas.

“A gente não consegue ficar tranquilo nem dentro de casa. Qualquer chuvinha, qualquer vento, a gente tem medo de que tudo desabe. Cuido de crianças pequenas e tenho uma irmã cadeirante, que só chora. A Defesa Civil não interditou minha casa porque disse que não está correndo risco, mas estou com muito medo”, disse Ângela à reportagem.

Segundo os moradores, a casa com maior risco de desabamento é de Edivânia. O imóvel fica bem em cima do morro que vem deslizando.

“Eles interditaram a minha casa e disseram que tínhamos que sair imediatamente, pois ela tinha risco iminente. Disseram que apesar de não ter danos aparentes, é o imóvel que corre mais risco na região. Um dia fico na casa da minha mãe, outro dia na casa da minha cunhada…”, contou a mulher.

Ocupação irregular

A região é próxima da represa de Taiaçupeba, que faz parte do sistema Cantareira. Os moradores dizem que, segundo a Prefeitura, a área é de manancial. Os imóveis não são regularizados e os moradores não pagam IPTU. A rua é asfaltada e as contas de luz, água e esgoto chegam normalmente.

A Sabesp enviou uma nota negando que a área da rua Miguel Fernandes seja de manancial e, por isso, cobra as contas normalmente.

A Subprefeitura de São Mateus confirmou que a região não é de manancial, mas disse que é uma área pública que foi ocupada irregularmente e que a Defesa Civil interditou quatro casas.

A Secretaria de Habitação também confirmou que não tem um plano para a área, mas disse que os moradores podem fazer um cadastro habitacional nos programas da Prefeitura.

Fonte: As informações são do portal ‘G1’.