Empresa parcela débitos em até 12 vezes. O consumidor com dificuldade também pode checar se tem direito à tarifa social, que está disponível para famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, inscritas no CadÚnico, ou para inscritos em algum dos programas sociais do governo federal.

A partir desta segunda-feira (3), a casa de quem não conseguir pagar a conta de luz poderá ficar no escuro. Por causa da pandemia, os cortes de energia estavam suspensos, mas voltaram a ser permitidos em todo o estado de São Paulo.

Mas antes de realizar o corte, a concessionária de energia é obrigada a avisar ao consumidor sobre os débitos pendentes e só pode realizar os cortes de segunda a quinta-feira, fora feriados.

A empresa Enel diz que a inadimplência aumentou entre os clientes da empresa e as solicitações de parcelamento também. Quem não conseguir pagar as contas atrasadas de uma vez só, pode dividir o valor em até doze vezes.

“A Enel está oferecendo um parcelamento nesse momento da pandemia q ele tá bem flexível. É um parcelamento que vai até 12 vezes sem juros no parcelamento. E o cliente pode solicitar através do aplicativo ou através do nosso portal de negociação.

Ele também pode solicitar esse parcelamento no nosso 0800 ou na nossa central de Whatsapp. Se o cliente faz a negociação do parcelamento, a partir do momento que ele paga a entrada, já deixa de estar apto ao corte de energia ou qualquer outra ação de cobrança”, afirma o diretor de mercado da Enel em São Paulo, André Oswaldo dos Santos.

O Nelson Alves da Silva é porteiro e está desempregado. Ele se mudou para essa casa em São Miguel Paulista em dezembro. Mas de lá pra cá, só recebeu essas duas contas de luz: a de agosto, no valor de R$ 65,00, e a de julho, de R$ 176. Agora, tem que pagar todas em atraso e está preocupado.

“Eu entrava no aplicativo da Enel e eu não conseguia gerar a conta pra imprimir, porque a conta está no nome da inquilina anterior. Espero ter como pagar isso aqui, pelo menos que eles façam um parcelamento. Porque, em virtude da pandemia, eu também agora estou desempregado.

É preocupante, porque energia é fundamental. Você não tem como sobreviver sem ela, né?! Fica muito difícil para mim. A conta está no CPF da inquilina anterior e ela deixou debito também aqui. Então, não posso nem passar para o meu nome, enquanto ela não acertar o débito dela. Eu estou com dificuldade para pagar a minha conta, como q eu vou pagar a dela também?”, afirma Nelson da Silva.

Tarifa social

O consumidor com dificuldade para pagar a conta de luz também pode checar se tem direito à tarifa social. Essa é uma tarifa que está disponível para famílias que tenham renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, inscritas no CadÚnico, ou para famílias que estejam inscritas em algum dos programas assistenciais do governo federal.

Os descontos da tarifa social são escalonados, de acordo com o consumo e a renda da família.

No início de março, cerca de 450 mil consumidores tinham direito ao benefício na área de concessão da Enel São Paulo. Em julho, esse número subiu para 550 mil, segundo a empresa.

E por determinação da agência reguladora de energia, para esses consumidores de baixa renda “estão proibidos os cortes de energia por falta de pagamento enquanto durar o estado de emergência da pandemia”. Atualmente, esse prazo vai até 31 de dezembro.

Mas não na casa da Renata Galdino. Apesar de estar desempregada e ter que sustentar quatro pessoas, ela não se encaixa no perfil de tarifa social porque recebe uma pensão de R$1.000. Para ela, o jeito vai ser parcelar a conta de julho que ficou em aberto.

“Estou desempregada, minha filha também e assim, subiu muito, um absurdo, né?, o valor da conta. Eu não estou conseguindo pagar. Numa pandemia, onde nos estamos vivendo um momento tão difícil, falar que vai cortar é uma injustiça, né? Ainda mais de uma pessoa desempregada… Como muitos ficaram nessa pandemia, desempregados.

Agora é ver se normaliza isso daí pra gente normalizar as contas também, né? Fazer um bico alguma coisa pra poder pagar. Tem que tentar negociar ne pra não haver o corte. Até porque, eu tenho criança pequena em casa e não posso ficar sem luz”, afirmou a dona de casa.

Segundo a Enel, os cortes de luz também continuam suspensos para quem depende de equipamentos elétricos essenciais à vida, para clientes que pararam de receber a conta impressa, sem pedir e para consumidores em locais com circulação restrita ou sem postos para pagamentos.

Em relação ao caso do senhor Nelson, que está com as dívidas da moradora antiga: a Enel disse que ele pode apresentar o contrato de locação para que a distribuidora faça a transferência de titularidade da conta.

Falando de outro serviço essencial, as contas de água, a Sabesp informou que até 15 de agosto os cortes e a cobrança da tarifa estão suspensos para quem está enquadrado na tarifa residencial social. São mais de dois milhões de pessoas no estado, nesta condição.