A saída da Ford do Brasil tem muito mais a ver com a reestruturação do setor automobilístico mundial e com a competição e estratégia global das próprias montadoras. Anos atrás assistimos a Chrysler quebrar e depois ressurgir poderosa, vimos a empresa indiana Tata comprar a Jaguar e outras inglesas, assistimos a GM quebrar em 2008, vimos o imenso crescimento das montadoras japonesas e depois as Coreanas.

Agora desembarcaram no Brasil e no mundo as fábricas Chinesas. Quem imaginaria a fusão que aconteceu na semana passada entre Fiat/Chrysler e Pegeot ?As mudanças tecnológicas e de fontes de energia provocarão mais mudanças ainda. A Tesla hoje vale mais que qualquer uma das montadoras tradicionais e como ela surgirão outras. O carro elétrico, o carro autônomo, tudo isto, hoje uma realidade, que provocará muitas mudanças nas empresas e nos empregos!

Andrea Matarzzo

Quem não prestar atenção ficará para trás.Somado a isto devemos lembrar que estas fábricas foram implantadas com fortíssimos incentivos fiscais oferecidos pelos governos de plantão nos Estados (preocupados só com a próxima eleição e não com a população) e agora estes incentivos chegaram ao fim provavelmente encarecendo muito a produção local.

Outro fator relevante é que o Brasil nos últimos 30 anos não tem sido um país amigável para a indústria. Nos anos 90 a indústria representava cerca de 22% do PIB hoje não representa mais que 11%.

Eu passei a vida dentro de indústria e acompanho com tristeza este processo de desindustrialização do Brasil. A indústria como grande geradora de empregos e inovação é essencial para o desenvolvimento de um país com as características do Brasil. É bom ficarmos atentos.

Andrea Matarazzo