Sem vagas de emprego formal, o número de trabalhadores de entrega para aplicativos multiplica durante a pandemia – mesmo com jornadas mais longas e remunerações mais baixas. Agora, categoria se organiza para fazer reivindicações.

“Eu trabalhava de mecânico, fui mandado embora e comecei a fazer entregas”. Essa alternativa para muitos que perderam o emprego formal inclui longas jornadas, baixa remuneração e nenhum direito trabalhista. Na pandemia, a situação se agravou. E a categoria começa a se organizar para apresentar suas reivindicações. Para entender esse movimento, Renata Lo Prete conversa com Tiago Bonini, entregador de comida em plataformas digitais há um ano. Ele relata sua rotina de 100 km pedalados por dia e suas condições de trabalho. Participa também o sociólogo Ruy Braga, que estuda há anos o fenômeno da precarização das relações de trabalho e analisa o significado da tentativa de organização dos entregadores.