Governos estaduais e prefeituras começaram a assinar acordos para usar estádios como hospitais improvisados

Os caros estádios construídos e reformados para a Copa do Mundo de 2014 agora têm nova utilidade, sendo transformados em postos de saúde para pacientes com coronavírus.

Governos estaduais e prefeituras começaram a assinar acordos para usar estádios como hospitais improvisados e postos de vacinas para enfrentar o esperado aumento de casos de Covid-19. Para os brasileiros, é uma transformação útil dos chamados “elefantes brancos”, que logo se tornaram símbolos de corrupção.

Em 2014, a ideia de o governo brasileiro gastar US$ 11 bilhões para sediar a Copa do Mundo gerou polêmica. Tanto brasileiros quanto estrangeiros argumentaram que um país com sistemas de saúde, de esgoto e educação precários não deveria desviar recursos para um campeonato de futebol. Quando a construção começou, o alto custo dos estádios e os constantes aumentos de valores nos contratos alimentaram uma onda de protestos, com uma reivindicação comum: “Queremos hospitais padrão FIFA!”

O governo gastou R$ 1,7 bilhão para reformar o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, apesar de a capital não contar com time de futebol na série A. Foi o projeto de estádio mais caro da história do Brasil, alvo de denúncias de corrupção, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Em grande parte sem ser usado desde a Copa, exceto por ocasionais shows de música sertaneja e algumas poucas partidas do Campeonato Brasileiro, a empresa que administra o Mané Garrincha assinou na semana passada um acordo com o Governo do Distrito Federal para abrir um posto de saúde e centro de triagem temporários para pacientes com Covid-19.

A ideia ainda não saiu do papel, mas espera-se que, com o aumento dos casos, seja efetivado. O Distrito Federal é o terceiro local do país com maior número de pessoas com coronavírus, atrás somente do Rio e São Paulo, epicentro da crise no Brasil. Outro estádio que sediou a Copa, o Maracanã, também está à disposição das autoridades. O governador Wilson Wizel (PSC-RJ), do Rio, declarou em coletiva que o estádio será um dos principais hospitais de campanha da cidade.

Fonte: Exame / Imagem em destaque: Estádio Mané Garrincha (Brasília) foto:Marcello Casal Jr/Agência Brasil