Medicamentos para hipertensão e labirintite, por exemplo, estão em falta nos postos de saúde.

Os moradores de Poá que precisam dos medicamentos distribuídos na rede pública estão enfrentando dificuldades para encontrá-los.

Com o desabastecimento, muitas pessoas têm desembolsado o valor do próprio bolso para não ficar sem a medicação.

Vitória Assunção dos Anjos conta que teve dificuldades para encontrar os medicamentos que o filho autista e a mãe hipertensa precisam tomar diariamente.

“Meu filho ficou cinco dias sem o remédio e ele ficou bem agitado. Eu entrei em contato com o setor de distribuição e disseram que iam buscar em outro município. Depois que eu entreguei a receita, o remédio chegou.”

Já a medicação que a mãe precisa está em falta há mais de um mês.

Sem previsão de chegada, Vitória, que está desempregada, comprou o remédio na farmácia. “Eu tenho ido quase toda semana no posto e não tem. Eles dizem que não tem previsão de chegada. Eu paguei R$ 25 em três caixas de remédio que vão durar um mês só.”

A moradora ainda reclama da falta de informação nos postos e por telefone da previsão do abastecimento.

Quem também sofre com a falta de remédios e com a desinformação é a idosa Elza Clara de Oliveira, de 90 anos.

Há mais de uma década ela precisa tomar remédios diariamente para controlar a labirintite e a pressão alta.

Sem o fornecimento dos medicamentos na rede pública, ela desembolsa R$ 120 por mês do benefício de um salário mínimo que recebe pela morte do marido. “Como faz falta! Desde o começo do ano eu não encontro mais meus remédios. Eles olham para a gente e dizem que não tem previsão.”

A falta de medicamentos foi alvo de denúncias dos moradores da cidade em março de 2015. Agulhas e insulina para diabéticos e remédios para a hipertensão eram os mais difíceis de encontrar.

Em nota, a Prefeitura de Poá esclareceu que está “trabalhando fortemente no intuito de sanar a falta de medicamentos.”

Segundo a administração municipal, dos 250 tipos padronizados e distribuídos no município de Poá (entre Rede Básica e Saúde Mental), menos de 5% estão em falta.

A Prefeitura ainda explicou que “as empresas que venceram o pregão eletrônico para fornecimento dos medicamentos são em sua maioria da região sul, centro-oeste e nordeste do País, e entre a confecção e assinatura do contrato por todas as partes e liberação de empenho de entrega e frete se passam dias, e há o problema de nossos fornecedores não serem fabricantes de medicamentos e comprarem de outras empresas, e quando um elo dessa cadeia atrasa a compra para o fornecedor eles atrasam a entrega para o município, fora a distância percorrida para entrega, já que as empresas se localizam bem longe”, finaliza a nota.

A previsão é que o fornecimento seja restabelecido ainda em junho.