Portadora de doença renal crônica, Marilene Rocha, de 64 anos, foi internada no Hospital filantrópico Santa Marcelina no dia 17 de julho após sofrer um AVC. Filha relata que mãe foi entubada por falta de tratamento. Hospital nega as acusações.

A família de uma paciente de 64 anos, portadora de doença renal crônica, acusa o Hospital estadual Santa Marcelina, no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo, de ter não ter realizado sessões de hemodiálise em Marilene Botelho Rocha, internada no hospital após suspeita de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Segundo parentes, por falta do tratamento, Marilene teve seu quadro de saúde agravado e está entubada na UTI há mais de dez dias. A paciente sofre com a doença renal e precisa realizar o tratamento no mínimo três vezes por semana. O hospital nega as acusações.

De acordo com a família, Marilene foi internada no hospital no dia 17 de julho, após passar mal em durante uma sessão de hemodiálise realizada na Clínica Nefrológica do Itaim Paulista, entidade filantrópica que atende pacientes da rede pública de saúde.

Ela foi encaminhada ao hospital com suspeita de AVC. A neta de Marilene relata, ainda, dificuldades em conseguir informações sobre o quadro de saúde da avó após a internação.

Marilene Botelho Rocha, internada no hospital após suspeita de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). — Foto: Arquivo Pessoal
Marilene Botelho Rocha, internada no hospital após suspeita de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). — Foto: Arquivo Pessoal

“Quando ela foi internada com suspeita de AVC, ela ficou com o lado esquerdo todo paralisado e fala comprometida, mas ainda estava lúcida. Eles [hospital] não informaram sobre o quadro clínico da minha avó, nós ficamos sabendo sobre o estado de saúde dela quando já estava entubada”, diz Ariane Botelho da Rocha, neta de Marilena.

Na última sexta-feira (24), a família disse que descobriu que Marilene tinha sido entubada quando foi fazer uma visita. Segundo eles, os médicos disseram que ela foi entubada porque estava com o pulmão comprometido e com suspeita de Covid-19. Entretanto, o resultado do teste para coronavírus deu negativo.

“Eu, como profissional de saúde, esperava que a minha mãe estivesse sendo bem tratada. Mas como é um hospital da periferia o atendimento é sempre diferente. Minha mãe ficou com o pulmão comprometido porque o hospital não realizou o procedimento de hemodialise da forma correta”, afirma a técnica de enfermeira, Hellen Botelho da Rocha.

Hellen afirma que sua mãe não estava sendo alimentada. As sessões de hemodiálise só foram realizadas após a entubação.

“Era para ter sido realizado um controle sobre a ingestão líquida que seria induzida nela, mas por algum motivo não foi feito. Ela não estaria neste estado se eles tivessem feito esse procedimento”, afirma Hellen. “Minha mãe chegou em um estado irreversível da saúde, ela está com os rins, o pulmão e o coração sobrecarregado”, completou.

A família relata que questionou a clínica que fez o encaminhamento de Marilene para saber se o hospital tinha sido informado sobre o histórico de saúde. “Nós fomos até a clínica em que ela estava realizando a hemodialise quando passou mal e questionamos se foi encaminhado o histórico médico dela, a clínica informou que encaminhou toda a documentação”.

A Secretária Estadual da Saúde de São Paulo, responsável pela administração do hospital, informou que “a paciente tem feito hemodiálise sempre quando há condições de passar por uma sessão.”

O texto diz ainda que, “como ela teve um AVC e está com quadro clínico respiratório grave, foi necessário garantir a estabilidade clínica dela primeiro, antes de realizar uma nova sessão”.

“Ela está recebendo todos os cuidados necessários e a família é informada a todo o momento sobre as condutas. O hospital está monitorando o quadro clínico da paciente”.