Sala de observação virou unidade semi-intensiva improvisada com pacientes entubados e sedados; Prefeitura diz que adquiriu quase 3 milhões de máscaras cirúrgicas e 500 mil unidades de máscaras do modelo N-95.

Funcionários e parentes de pacientes dizem que o Hospital Municipal do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, está superlotado e com falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI) no atendimento aos pacientes.

Em imagens gravadas por um funcionário, catorze pacientes aparecem em uma sala do Pronto-Socorro do hospital. A sala de observação virou uma unidade semi-intensiva improvisada, onde a maioria dos pacientes estão entubados e sedados. Muitos são idosos, mas também há jovens (veja no vídeo).

Todos eles estão com Covid-19 e apresentam um comprometimento dos pulmões, o sintoma mais grave da doença. Os pacientes deveriam estar na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não há mais vagas. Outro funcionário da unidade e também não quer ser identificado deu mais detalhes.

“Até está sendo disponibilizado o avental impermeável, mas você tem que usar o descartável por cima, porque você não pode sair de um paciente e atender o outro com o mesmo. Porém não está tendo esse descartável. A máscara cirúrgica também não está tendo.”

Sem equipamentos adequados, o risco dos profissionais se infectarem — ou de um paciente infectar outro — aumenta.

Às 16h45, dois carros do serviço funerário municipal chegam ao Hospital do Tatuapé para retirar corpos de duas pessoas. Os parentes estão no local e dizem que elas foram provavelmente vítimas da Covid-19.

Uma dessas vítimas é o padrasto da Ana Paula Reche. Ele estava internado há dois meses por causa de complicações com o diabetes. A família mostra o laudo com a causa da morte: “insuficiência respiratória a esclarecer”. Ana desconfia de que ele possa ter se contaminado dentro do hospital.

“Eles alegaram que ele estava com falta de ar, a gente nem pode chegar perto, porque colocaram ele em isolamento e proibiram a visita.”

A Secretaria Municipal de Saúde da capital informou que está empenhada na ampliação da rede de saúde e que adquiriu quase 3 milhões de máscaras cirúrgicas e 500 mil unidades de máscaras do modelo N-95. A secretaria disse ainda que encomendou mais 2 milhões de máscaras de importadores de produtos da China.

Superlotação

A vendedora Aline Oliveira Santos estava chorando na tarde desta terça-feira (7) no Hospital do Tatuapé. Ela conta que trouxe o marido, de 43 anos, na noite de segunda-feira (6) ao hospital, porque ele estava com muita falta de ar.

“A enfermeira vai com ele para porta da UTI e eu junto, o médico sai do UTI e fala aqui não dá. Aí vão com ele com ele no semi-intensivo e também falaram a mesma coisa, aqui não dá. Aqui não cabe. Aí mandam ele aguardar um pouco. Aí tiraram alguém não sei por que razão. Aí limparam e colocaram ele na vaga que acabou de surgir. Mas está lotado. Está superlotado”, conta.

Com o hospital cheio, fica difícil até conseguir informações.

“Cheguei ontem às 23h, vou embora agora às 3 horas da tarde. Eu vou chegar em casa e não sei o que falo para os meus filhos. Eles vão perguntar do pai, vou falar está internado. Por quê? Se for o Covid, eu provavelmente eu possa ter. Mas não tem teste para fazer”, afirma.

Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1