Milhares de brasileiros terão um motivo extra para esticar o pescoço para fora de suas janelas, a partir desta sexta-feira. Obras de mais de 200 mulheres do mundo inteiro vão colorir, até domingo, as paredes de prédios do Rio, de São Paulo, Salvador e Recife, durante o Graffiti Queens Festival, que ganhou uma versão especial “de quarentena”. A exibição será feita por meio de projeções, sempre a partir das 19h.

A primeira edição rolou no ano passado, em São Miguel Paulista. Na ocasião, mais de cem mulheres levaram suas artes a muros de diferentes espaços públicos do distrito da capital. Agora, haverá o dobro de participantes, além de obras de diferentes gêneros, como ilustração e performance.

Obra de Stella Vieira estará na mostra

Idealizado pela artista manauara Chermie Ferreira, o festival nasceu com o mote de dar notoriedade às mulheres numa cena ainda bastante masculina. Acostumada a circular pelos festivais de arte urbana, ela se questionava sobre o que estaria por trás da ausência de colegas. “Descobri que elas não tinham onde deixar os filhos e acabavam não participando. Eu mesma tenho duas meninas, de 6 e 12 anos, e é muito desgastante levá-las para espaços públicos onde os eventos acontecem.”

Na edição presencial do ano passado, as artistas tiveram abrigo para os pequenos, onde eles eram monitorados por profissionais. Como isso seria inviável diante das recomendações de isolamento por causa da Covid-19, ela teve a ideia de partir para as projeções, que ficarão a cargo de dez mulheres da rede de projecionistas livres Projetemos.

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Chermie anunciou, pelo Instagram, que buscava ajuda para botar o projeto de pé, e a produtora carioca Carolina Herszenhut não pestanejou em atender ao chamado. “Quis me juntar para amplificar a voz de um evento tão importante”, diz. “O bacana é que, além de nomes famosos, a programação traz muitas artistas que estão fora do eixo Rio-São Paulo.”