Fernando Haddad durante entrevista ao Jornal da Globo Foto: Reprodução/Tv Globo

Candidato do PT reconhece que país ‘não vive um processo de normalidade’ e não endossa declaração do partido


O candidato do PT à Presidência , Fernando Haddad , evitou culpar o regime de Nicolas Maduro pela crise na Venezuela , em entrevista ao “Jornal da Globo” na noite desta quarta-feira. O petista reconheceu que o país atravessa uma crise, mas apontou vários atores, inclusive a oposição, como responsáveis pela situação


A Venezuela não vive um processo de normalidade, não vive. Por que há contestação sobre o ambiente democrático, não se reconhece resultado eleitoral, a oposição contesta quando um plebiscito é chamado,  as eleições não são respeitadas. O clima alí é de conflagração. Inequívoco.


Haddad também não comentou declaração de seu partido de que o país vizinho é um “exemplo de democracia”.


– Eu não vi essa declaração oficial, a posição do PT pode ser essa, mas eu estou falando da posição de um eventual governo do PT comigo à frente. O papel do Brasil tem que ser reconhecer que as coisas não andam bem por lá, a situação é conflagrada; inclusive nós estamos tendo a repercussão disso na fronteira com Roraima. Nós precisamos resolver isso lá – disse.

Para Haddad, a mediação dos conflitos locais, com apoio de organismos internacionais, é o primeiro passo para resolver a crise no país vizinho.

– O papel do Brasil pela sua importância, pela sua liderança, não é tomar partido na Venezuela situação,  é junto aos organismos internacionais. Inclusive, o próprio Fernando Henrique, ao seu tempo, criou grupos de apoio à Venezuela em função da instabilidade política. É buscar mediação reconhecendo que o ambiente não é o mais saudável.

Fernando Henrique Cardoso articulou, em 2002, um grupo em defesa do mandato do então presidente, Hugo Chávez, alvo de uma tentativa de golpe. Desde então, no entanto, com a crescente degradação da situação na Venezuela, o tucano tem se tornado cada vez mais crítico do regime. No ano passado, o ex-presidente afirmou que “as instituições democráticas foram postas em xeque diretamente pelo governo” e “falar em democracia no país é um abuso de expressão”.