Entrega de medalhas e certificados a 208 pessoas foi realizada na Câmara Municipal

São vários os fatores que possibilitam o serviço público prestado com qualidade para a população. Planejamento, pesquisa, respeito e trabalho duro são alguns deles. Porém, em uma cidade com mais de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, com tantos extremos, certamente a colaboração da população é extremamente necessário.

Sabendo disso, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SEME) fez uma justa homenagem àqueles que podem ser considerados  parte importantíssima da engrenagem que faz os 48 Centros Esportivos funcionarem: os voluntários. Foi realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira (9) uma cerimônia de entrega de certificados e medalhas para diversas pessoas que atuam com o coração e pelo amor à sua comunidade nos quatro cantos – e na região central – da cidade. É a primeira vez nos 50 anos da pasta que esse tipo de reconhecimento é feito.

Carlos Bezerra Jr., secretário Municipal de Esportes e Lazer, prestigiou o evento e foi da mão do chefe da pasta que os voluntários receberam o documento que os certificavam como colaboradores do município. “Eu descobri que os clubes têm alma, e essa alma são vocês. Eu sei a importância do trabalho voluntário, por isso estava mais do que na hora dessa homenagem acontecer”, destacou Bezerra Jr.

Dentre as centenas de pessoas presentes, algumas ganharam um destaque maior. Uma delas, com direito até a menção especial, foi Everdan Olegário, 48, conhecido como Mestre Dan. Com 31 anos de voluntariado, o professor de Jiu Jitsu coordena um projeto social chamado “Nasci Para Vencer”, no Centro Esportivo José Bonifácio. De lá, surgiu o Cohab Team, que compareceu em peso à cerimônia e foi à loucura com a homenagem ao mestre.

Outra voluntária que teve lugar à mesa foi a Waldmeire Ferreira, 67. Há 16 anos ela colabora de forma gratuita com os professores e funcionários do Centro Esportivo Jardim São Paulo. “Quando eu cheguei  lá, vi que as outras voluntárias e as professoras precisavam de ajuda”, explicou. No dia a dia, Waldmeire prepara a lista dos alunos, entra em contato com eles, auxilia nos casos de alguém precisar faltar ou se afastar temporariamente, além de auxiliar nos eventos organizados pela própria SEME, como o Vem Dançar, o Fórum do Cidadão Idoso e em datas comemorativas.

Já a contribuição de Wellington Aversa, 40, é outra. Mestre de capoeira, o professor levou seu talento e todo o seu amor pela prática ao Centro Esportivo Vila Manchester e atinge diversos públicos, inclusive pessoas com deficiência. A “capoeira adaptada” já estava na vida dele antes de entrar no clube, seis anos atrás. Com enfoque no atendimento àqueles com paralisia cerebral, Wellington viu o equipamento da zona leste como uma forma de tornar a modalidade mais acessível à comunidade. “A capoeira é uma ferramenta para a formação dessas pessoas. Há vários relatos, tantos das mães, como das crianças, sobre os benefícios que a prática trouxe, não só para o corpo, mas também na questão social”, relata.

E o que poderia levar um agente penitenciário a prestar serviço voluntário no Centro Esportivo Curuçá? Para Romualdo Almeida, 48, foi a necessidade de fazer a diferença, segundo suas próprias palavras. “Eu sabia que dentro da minha profissão, eu só tinha que cumprir a Lei. E eu percebia que depois que o jovem entrava no crime, não tinha mais jeito. Eu precisava intervir antes”, conta o professor de Hapkidô, que leva a arte marcial aos jovens da zona leste há 16 anos. Graças ao trabalho dele, alguns alunos saíram do caminho do crime e puderam conhecer outros países, como a Coreia do Sul, em 2013, e Canadá e Estados Unidos, em 2015. Agora, o projeto é fazer nova viagem em 2021 – todas elas sem nenhum tipo de financiamento ou patrocínio. “Eu estou há 16 anos aqui e a impressão que eu tinha é que nós éramos invisíveis. Honestamente, eu nem esperava esse convite. É surpresa perceber que nós não somos tão invisíveis como pensei que éramos”, encerra Romualdo.