Unidades de saúde na cidade de São Paulo têm registrado alta em internações de pacientes jovens.

A ocupação de leitos de enfermaria e UTI por pacientes da Covid-19 chegou a 93% nesta terça-feira (8) no hospital municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. A média de idade dos pacientes que precisam de tratamento está diminuindo na cidade.

Nesta terça, o autônomo Guilherme Cavarzere foi até o hospital para saber como estava a irmã, de 26 anos, internada com a Covid-19. “Meu pai também pegou, está em casa, mas com meu pai foi um pouco mais leve”, afirmou.

De acordo com funcionários do Tide Setúbal, as internações estão atingindo níveis iguais aos dos primeiros meses da pandemia. Atualmente só há quatro vagas disponíveis em UTI no hospital.

O Tide Setúbal passou três dias seguidos sem nenhuma morte por Covid-19, mas o alívio dos médicos e enfermeiros foi quebrado nesta segunda-feira (7) à noite, com a morte de um paciente de 47 anos. O pai dele morreu quinze dias atrás, e a mãe há um mês. Só o irmão mais novo sobreviveu e deixou a UTI de outro hospital nesta semana.

A idade dos novos pacientes está chamando a atenção também em outras unidades. No Hospital Emílio Ribas, na Zona Oeste, o infectologista Jamal Suleiman afirma que os dois pacientes mais jovens internados no instituto têm 45 e 30 anos.

“Um está sendo discutido nesse momento a entubação, que é aquele de 30 anos. Só para lembrar que esse de 30 anos não tem comorbidade”, afirmou em conversa por videoconferência com a TV Globo.

Os hospitais privados também registram alta de internações de jovens. O gerente médico do pronto socorro do Sírio-Libanês afirma que, na unidade, a média de idade dos pacientes caiu de 45 para 40 anos.

“Não tem sido incomum ouvir relatos de pessoas que acabaram nessa flexibilização, tendo várias pessoas no seu entorno dando positivo pro Covid. Isso que nos preocupa”, diz Christian Morinaga.

No Hospital São Paulo, da Unifesp, a situação é mais grave. Pacientes com outras doenças estão em macas no corredor da unidade, na Vila Mariana. Eles ainda aguardam atendimento ao lado de uma porta, onde um cartaz diz “banheiro de uso exclusivo de pacientes com Covid”

O pai da Juliana, de 72 anos, está internado na unidade, com um problema no rim. “Não tem controle nenhum dos funcionários. Já vi funcionário entrando sem a proteção, apenas com a blusa pra proteger, então eu preciso tirar o meu pai desse corredor”, disse a filha.

O infectologista Jamal Suleiman reforça que o relaxamento dos jovens é risco de vida para os mais velhos.

“Uma senhora que passou o tempo todo recolhida, de março até dezembro, e 10 dias antes ela fez um churrasco de um batizado de uma pessoa da família na casa dela. E as pessoas que ela só convivia por vídeo foram. Ela está doente e está internada. Então essa é uma história de várias histórias. É extremamente desgastante que estamos nesse processo. Para a família, porque o sentimento de culpa vem na sequência”, diz o médico.

Em nota, o Hospital São Paulo, que é da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), disse que a presença das macas nos corredores se deve à intensa procura, nos últimos dias, de pacientes que não têm Covid e saem de toda a Grande São Paulo.

O hospital reconhece que está enfrentando dificuldades e solicita auxílio das autoridades governamentais para que possa readequar o atendimento à quantidade de demanda exigida.

Sobre a alta no número de internações, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse que está atento e que a prefeitura está ampliando o número de leitos de enfermagem para tratar os pacientes antes que o quadro se agrave.

Fonte: G1