Trump é pressionado e Biden ganha refresco em noite de debates simultâneos em emissoras distintas.

Os candidatos republicano e democrata à presidência dos EUA, Donald Trump e Joe Biden — Foto: Carlos Barria/Tom Brenner/Reuters

Debates separados de candidatos com seus eleitores e exibidos no mesmo horário simbolizam também a divisão do país e forçaram os espectadores americanos a escolherem de antemão entre o presidente Trump e o adversário Joe Biden. O republicano enfrentou um duelo afiado com a âncora da NBC Savannah Guthrie; o democrata, uma noite amena, que o fez prosseguir com o bate-papo com eleitores mesmo depois de terminado o programa.

Trump foi duramente confrontado a cada mentira. Disse que 85% das pessoas que usam máscaras pegam o coronavírus, que 99% dos infectados se recuperam e que o país está dobrando a esquina em relação à pandemia, no momento em que o número de casos aumenta em torno de 20% nos EUA.

Mostrou-se um tanto quanto evasivo sobre a sua doença, sem esclarecer quando foi o último teste negativo antes de ser infectado, que tipo de dano teve nos pulmões ou em que situação usava máscaras faciais.


Desta vez, no lugar dos supremacistas brancos, o presidente recusou-se a repudiar a QAnon, uma comunidade na internet que prega teorias da conspiração favoráveis a ele, rotulada como ameaça terrorista pelo FBI. “Não sei nada sobre isso. Eu sei que eles lutam contra a pedofilia.”

Guthrie não facilitou, expressou claramente o incômodo pelas evasivas de Trump: “Eu não entendo isso. O senhor é o presidente, não é como o tio louco de alguém que pode apenas retuitar qualquer coisa”.

Na defensiva, como habitual, ele voltou-se contra os antifa, vinculando-os ao adversário democrata. “Vou lhe contar o que eu sei. Eu sei sobre a antifa, sei sobre a esquerda radical, e sei como eles são violentos. Eles estão incendiando cidades.”

Em situação confortável nas pesquisas e sem a pressão de precisar defender um mandato, Biden ganhou um refresco na ABC e relaxou. Em tom contido, tentou deixar evidente o quanto contrasta com o presidente, em longas explanações e sem interferências. Defendeu cientistas, o uso de máscaras e assegurou que aceitará tranquilamente a derrota:

“É sinal de que terei sido um péssimo candidato.”

Visivelmente contrariado, prometeu revelar antes das eleições sua posição sobre a ampliação da Suprema Corte — proposta que vem ganhando fôlego no campo democrata em função do desequilíbrio ideológico do tribunal após a morte de Ruth Bader Ginsburg. “Eu não sou um fã da extensão do tribunal, mas o foco no momento é a nomeação da juíza Barrett.”

Foi mais uma noite desperdiçada para o eleitor. Sem a chance de assistir ao duelo direto entre Trump e Biden, o espectador sintonizou para ouvir os argumentos de seu candidato favorito. Aos indecisos, restou a opção de zapear freneticamente entre as duas emissoras.