Heli Barroso Martins está preso em Benfica e será transferido para uma cadeia em São Gonçalo, na Região Metropolitana, nesta sexta (31). Caso aconteceu na Região Serrana.

O laudo da perícia do carro que pegou fogo e causou incêndio em mata na Serra dos Órgãos, Região Serrana do Rio, aponta que o veículo foi queimado intencionalmente com uso de combustível. Os peritos dizem que, como o mato estava seco e devido à temperatura e à altura das chamas, o fogo se espalhou pela vegetação, causando uma queimada de grandes proporções.

De acordo com a polícia, o líder comunitário Heli Barroso Martins, de 66 anos, colocou fogo no próprio carro para receber o dinheiro do seguro. Ele está preso em Benfica, na Zona Norte da capital fluminense, e deve ser transferido para uma prisão em São Gonçalo nesta sexta-feira (31).

O delegado João Valentim, da 106º DP, responsável pelas investigações, afirmou que a explosão ajudou a espalhar as chamas. “O laudo pericial foi categórico ao afirmar que a devastação enorme da Mata Atlântica foi causada em virtude da explosão, do deslocamento de ar causado pela explosão do veículo”, disse.

O incêndio no Vale das Videiras queimou 673 hectares da Reserva Ambiental de Araras, o equivalente a área de três Lagoas Rodrigo de Freitas.

Suspeito diz ter sido vítima de assalto

Heli nega todas as acusações contra ele e mantém que foi vítima de um assalto. Na quinta (30), a Justiça negou mais um pedido de habeas corpus da defesa de Martins para que ele seja solto.

Na delegacia, Heli disse que foi assaltado por dois homens em uma moto e que um dos bandidos não conseguiu ligar o carro dele para fugir porque havia um problema na ignição. Ele disse que, com medo de ser morto, correu para o mato e depois pediu ajuda a amigos.

Heli contou que só viu o incêndio quando passou de novo pelo lugar onde estava o carro. Em depoimento, as testemunhas para quem ele pediu socorro disseram que ele chegou ao local limpo, tranquilo e seco. Uma delas disse que ele afirmou que o incêndio lhe causaria problemas.

Carro incendiado na Região Serrana do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/ TV Globo

Compra de combustíveis

Imagens de câmeras de segurança mostram que, um dia antes do crime, Heli foi até um posto de combustíveis em Três Rios, na Região Serrana, às 10h. Lá, ele comprou um galão de dois litros de gasolina. Durante a tarde, ele foi em outro posto e abasteceu o cilindro de gás natural.

Na delegacia, o homem disse que o combustível era para um amigo, mas não lembrava do nome dele. O suspeito também não soube descrever para os investigadores a moto onde estariam os criminosos que o assaltaram.

Porém, ele falou para duas testemunhas que se tratava de uma moto grande, e disse que não contaria isso para a polícia.

“Ele foi preso em flagrante e, consequentemente, indiciado pelos crimes de incêndio tanto previsto no Código Penal como o previsto na lei de Crimes Ambientais. Além disso, o estelionato tentado porque, imediatamente após o roubo, ele tentou dar entrada no seguro”, destacou o delegado.

Ligação para seguradora

Na ligação que fez para a seguradora, ele explicou para a atendente a versão dele do caso.

“Eu tive um problema, fui assaltado e em consequência eles botaram fogo no carro. Acho que botaram, só a perícia que vai dizer. Então o carro queimou lá na rua, em consequência disso pegou fogo na mata, está lá queimando, o bombeiro foi para lá”, disse Heli.

Momentos depois, ele diz para a atendente do seguro que pode ter problemas com o que aconteceu.

“Eu já liguei para lá, para cabine da PM no meu bairro. Aí a cabine da PM me orientou, porque já tinha mais de duas horas do fato, aí eles mandaram eu ir, mandaram eu ligar para delegacia. Aí eu liguei para delegacia e o plantão lá me disse para eu ir depois das 8h”, disse Heli.

Por fim, ele encerra. “É, porque eu vou ter que fazer isso muito bem feito, isso vai me dar um aborrecimento, o fogo está lá na mata, vai queimar muita coisa”, disse.