Em 12 meses, IPCA acumulado recuou para 3,22%, permanecendo bem abaixo da meta de 4,25% para o ano. Segundo IBGE, baixa demanda em relação aos serviços segura a alta de preços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,19% em julho, segundo divulgou nesta quinta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da menor taxa para julho desde 2014, quando ficou em 0,01%.

Com o resultado, o índice acumula alta de 2,42% no ano. Em 12 meses, recuou para 3,22%, ante os 3,37% registrados em junho, permanecendo bem abaixo da meta de 4,25% definida pelo governo para o ano, o que deve reforçar as apostas de novos cortes na taxa básica de juros, atualmente em 6% ao ano – o menor valor da série histórica.

IPCA – Inflação oficial mês a mês

Queda nos preços de vestuário e combustíveis

O grupo de alimentação e bebidas, que tem o maior peso na composição do indicador, ficou praticamente estável na passagem de junho para julho. A alimentação no domicílio teve queda de 0,06%, enquanto a alimentação fora apresentou alta de 0,15%. Entre os produtos que ficaram mais barato, destaque para tomate (-11,28%), feijão-carioca (-8,86%), hortaliças (-4,98%) e batata-inglesa (-3,68%).

Segundo o IBGE, a queda dos preços de vestuário (-0,52%), transportes (-0,17%) e saúde e cuidados pessoais (-0,20%) ajudaram a segurar a inflação no mês.

“A queda [dos preços] em vestuário é explicada pelas promoções por conta das trocas de coleções. Já o transportes foi puxado pela queda nos preços dos combustíveis (-2,79%), principalmente da gasolina (-2,80%), que teve o maior impacto negativo na composição do índice, de -0,12 pontos percentuais”, afirmou o gerente da pesquisa.

Segundo o IBGE, a gasolina recuou no país 2,80%, em média, em julho. Já os preços do etanol e do diesel caíram 3,13% e 1,76%, respectivamente.Inflação em 12 meses

Segundo Gonçalves, há uma pressão negativa da baixa demanda em relação aos serviços, o que tem segurado a alta de preços.

“Ainda há muita informalidade no mercado de trabalho e um contingente muito grande de desempregados. Como a renda dessa informalidade é muito incerta, as famílias acabam, priorizando alimentação, habitação e transporte. Então, para os serviços acaba não sobrando nada”, destacou.

Conta de luz foi a vilã da inflação de julho

Entre os itens que mais pesaram na inflação de julho, destaque para energia elétrica. As contas de luz ficaram em média 4,48% mais caras para o consumidor. Somente este item teve impacto de 0,17 ponto percentual no índice geral.

“A energia representou praticamente toda a inflação do mês”, destacou o gerente da pesquisa.

No grupo Transportes, destaque para as altas das passagens aéreas (18,63%) e das tarifas de ônibus interestadual (5,21%).

Veja a inflação de junho por grupos pesquisados e o impacto de cada um no índice geral:

  • Alimentação e Bebidas: 0,01% (0 ponto percentual)
  • Habitação: 1,20% (0,19 p.p.)
  • Artigos de Residência: 0,29% (0,1 p.p.)
  • Vestuário: -0,52% (-0,03 p.p.)
  • Transportes: -0,17% (-0,03 p.p.)
  • Saúde e Cuidados Pessoais: -0,20% (-0,02 p.p.)
  • Despesas Pessoais: 0,44% (0,05 p.p.)
  • Educação: 0,04% (0 p.p.)
  • Comunicação: 0,57% (0,02 p.p.)

O IBGE calcula a inflação oficial com base na cesta de consumo das famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Aracaju, Brasília, Campo Grande, Goiânia, Rio Branco e São Luís.