Desembargador solicita mais informações para analisar habeas corpus pedido pela defesa de Ricardo Vieira, um dos pais que estava na casa quando pegou fogo, em Poá.

O desembargador da 12ª Câmara Criminal de São Paulo, João Luiz Moneghi, solicita mais informações sobre o caso das crianças que morreram durante um incêndio, em Poá. Os detalhes o ajudarão a se posicionar a respeito do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de um dos pais adotivos dos três irmãos, Ricardo Reis de Faria e Vieira, preso desde quarta-feira (18), dia da tragédia.

Segundo a advogada de defesa, Ana Verônica da Silva, o despacho foi publicado no fim da tarde de sexta-feira (19). “O desembargador deliberou por pedir informações ao juízo que decretou a prisão temporária. Diante deste fato acredito que uma decisão do HC sair durante a semana que vem”, informa ela.

A expectativa da defesa é que o HC seja concedido, “pois não estão presentes os requisitos legais para se manter a pressão temporária”. Ana Verônica cita outras estratégias adotadas, que serão informadas em momento oportuno, “para que a defesa de Ricardo não seja prejudicada, além do que já vem sendo com julgamentos precipitados”. Ela diz ainda que esteve com ele na prisão, e “como se é de esperar diante do ocorrido está muito abalado”.

A advogada defende Ricardo e diz que não há indícios de que seu cliente seja autor do incêndio, pois a perícia ainda não foi concluída. Ela afirma também que as contradições citadas pela polícia não estão amparadas na legislação.

A prisão temporária foi decretada pela juíza Erika Dalaruvera de Moraes Almeida, da 1ª Vara Criminal de Poá. No documento de prisão, ela alegou “existência de fundadas razões de autoria do investigado na prática dos delitos, bem como na materialidade”.

O pedido de prisão partiu do delegado Eliardo Jordão, responsável pela investigação no Distrito Policial de Poá. De acordo com ele, foram as “incoerências nas versões” apresentadas por Vieira” que o levaram a solicitar a medida. Esclarece que se trata de uma prisão processual, “um instrumento jurídico para viabilizar o interesse das investigações”.https://245c51c7bcebb4536c4d85a4d3bfcc52.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

O Ministério Público também se posicionou favorável à detenção de Ricardo Vieira. A polícia tem os 30 dias da prisão temporária de Ricardo para concluir as investigações. Mas pode pedir a prorrogação da prisão ou transformá-la em preventiva.

Caso

A tragédia que abalou Poá, com grande repercussão em toda a região, ocorreu na madrugada da quarta-feira (19). Exatamente às 4h57, o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um incêndio em uma residência na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real.

As vítimas eram Fernanda, 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, adotados anos atrás por Ricardo e Leandro José Reis de Faria e Vieira. O casal homoafetivo havia se separado recentemente, e os filhos estavam na casa de Ricardo, mas a guarda era compartilhada.

O delegado Eliardo Jordão afirma que pediu a prisão por causa das contradições entre os depoimentos.

Para atender a ocorrência, foram enviadas oito viaturas dos Bombeiros, além de uma do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Havia grades na janela e a porta estava trancada. As três vítimas foram encontradas carbonizadas.

Segundo esclarecimento do delegado, Ricardo estava dormindo em sua casa, quando acordou por conta da fumaça. Em depoimento, ele contou que tentou ir até o quarto onde as crianças dormiam, mas não conseguiu entrar. Por isso, foi à unidade da Polícia Civil para pedir ajuda.

Os policiais, ao chegarem no local, arrombaram a porta, mas também não conseguiram entrar por conta do fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e ajudaram na localização dos três corpos.

O corpo de Fernanda foi encontrado no banheiro. O irmão, Lorenzo, estava no centro do quarto das crianças. Já o corpo de Gabriel estava próximo a uma janela.

O delegado explicou que o trabalho pericial já estava sendo feito e que seria necessária confirmar a versão do pais e alguns detalhes sobre os relatos para direcionar o caso. Ele disse também que a polícia trabalha com todas as possibilidades.

Existem inconsistências no caso a serem esclarecidas como o motivo do quarto das crianças estar trancado e quais as razões pelas quais o próprio pai não ter arrombado a porta, entre outras questões que estão sendo apuradas.

Os vizinhos contaram que a a família morava no imóvel havia cerca de sete meses.