Em outubro veio o primeiro sinal de que o abastecimento de energia entraria em crise – e a falta de chuvas baixou reservatórios hidrelétricos e deixou até cidades como Curitiba em rodízio de água. Agora, a Aneel impõe a tarifa mais alta ao consumidor. O que virá depois?

O primeiro sinal de que algo não ia bem veio em outubro, quando o governo acionou termoelétricas e autorizou a importação de energia para poupar as hidrelétricas. Principal fonte de nosso sistema, os reservatórios estão com níveis baixíssimos, por causa da falta de chuva. Para tentar poupar as represas, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou a tarifa vermelha, a mais cara de todas, que eleva a conta de consumidores residenciais e industriais. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe o repórter Bruno Fávaro, da TV Globo em Curitiba, e Fernando Camargo, economista e especialista em infraestrutura com foco no setor de energia, saneamento e logística. “Faltou água na torneira, a torneira perdeu a função”, relata Fávaro, sobre o problema que começou a ser sentido na capital paranaense ainda no fim de 2019. Camargo explica por que, apesar do aumento da demanda, a alta no consumo não justifica tarifas mais elevadas: “no agregado do país como um todo, o consumo de energia está abaixo que o do ano passado. Espera-se que 2020 feche entre 1% e 1,5% abaixo de 2019”. E fala ainda sobre como uma possível retomada da economia em 2021 pode agravar ainda mais a situação do setor de energia.