Que Maysa cravou seu nome na história da MPB isso não se discute. Não apenas como intérprete mas também como uma incrível compositora. Raro quem não conheça canções compostas por ela. “Meu Mundo Caiu”, gravada em 1958 está aí até hoje. 

Disponível em plataformas para serem apreciadas na sua voz e mesmo em regravações de outros cantores e cantoras contemporâneas. Dona de uma biografia única, teve sua vida transformada em livro, minissérie global e filme. 

(André Matarazzo junto à sua esposa, Maysa. Ele viu seu primo ter de pagar para ser reserva do Botafogo)

Casada com André Matarazzo pôde conhecer Ermelino Matarazzo, personagem central deste texto. Empresário e primo do marido de Maysa, ele cravou seu nome de uma forma peculiar na história do futebol carioca. ⠀

Apaixonado por futebol e pelo Botafogo Futebol de Regatas tinha um objetivo: ser jogador profissional. Considerava ter os talentos necessários para se tornar goleiro. 

No entanto, estava longe de ser um atleta selecionável até mesmo para um jogo de futebol amador, quanto mais, profissional. Se talento tinha pouco, Ermelino tinha um sobrenome poderoso, influência e dinheiro. Eram meados dos anos 50 quando realizou o feito. “Era o único jogador do futebol brasileiro que praticava o profissionalismo ao contrário. Ou seja, pagava para jogar.” escreveu Ruy Castro, em sua obra “Chega de Saudade”. ⠀

O talento para o futebol no entanto, era o inverso de sua conta bancária e a família Matarazzo teve a honrosa fama de pagar para um membro de sua família estar na reserva de um goleiro conhecido pelos botafoguenses: Ermelino tinha o orgulho de ser reserva de um cidadão chamado Oswaldo Baliza. Das excentricidades que entraram para a história. ⠀

Talvez Ermelino sem que soubesse entrasse para a história como sendo um dos pioneiros da mercantilização dos times de futebol. Afinal, quantos jogadores de categorias de base jogam apenas se os empresários cheios da grana influenciarem a diretoria e os técnicos que escalam o time?

Fonte: DIARIO de Goias