A rede de fast food McDonald’s afastou preliminarmente um funcionário terceirizado de segurança suspeito de conduta discriminatória racial contra uma mulher que tentou comprar um sorvete para os filhos de 7 e 3 anos em uma loja na Rua Domingos de Moraes, na Zona Sul de São Paulo, no último dia 25 de março.

O caso é alvo de uma investigação do Ministério Público do estado, após a suspeita de racismo ter sido relatada por Fernanda Vicentina da Silva, que é negra. McDonald’s informou que também apura internamente a conduta do funcionário, e que “não compactua com nenhum tipo de discriminação”.

O relato da vítima diz que a discriminação ocorreu quando ela tentou comprar o sorvete com um cartão do Bolsa Família, utilizado, naquele momento, como um cartão de débito. Ela diz que foi abordada por um segurança do estabelecimento, que impediu a realização da venda.

Segundo a vítima, o segurança da loja gritou para ela: “Não é para ficar pedindo aí não! Sai fora!”.

O Procon também notificou a rede de lanchonetes para explicar o caso, em 48 horas, sob o risco de ser autuada e multada por desrespeito ao consumidor.

“A empresa deverá explicar o que aconteceu, quais os procedimentos adotados após o ocorrido, quais os critérios de contratação de serviços de segurança e qual a política interna de treinamento de funcionários e prestadores de serviços quanto aos direitos e garantias do consumidor”, disse em nota a entidade.

Em nota, o McDonald’s disse esperar que tudo seja esclarecido. “O McDonald’s informa que não compactua com nenhum tipo de discriminação e está realizando a apuração interna sobre o caso. Preliminarmente e até que tudo esteja esclarecido, a rede afastou o funcionário terceirizado envolvido”, informou a rede em nota.

Investigação

O MP considerou haver indícios de prática de racismo institucional nas dependências da rede de restaurantes McDonald’s. “A Constituição Federal estabelece como objetivo do país a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, informou o MP.

Entre as diligências determinadas pelo promotor de Justiça responsável pelo caso está o envio de ofício ao McDonald’s Brasil dando prazo de 30 dias para que a empresa responda, por exemplo, quais são as ordens e orientações dadas aos empregados próprios e de empresas terceirizadas no que se refere ao relacionamento entre eles e entre esses e os clientes do estabelecimento comercial e se há alguma orientação dada quanto a aspectos raciais e étnicos de funcionários e clientes.

Segundo a Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos, o procedimento também pretende verificar se a empresa possui políticas corporativas de promoção da igualdade racial.

Unidade em que ocorreu o caso suspeito de discriminação  — Foto: Reprodução/Google Street View
Foto: Unidade da zona sul, onde ocorreram os fatos – (Imagem de Reprodução)

Fonte: As informações são do portal de notícias ‘G1’.