Paciente reclama da falta de atendimento, médica diz que já havia passado de seu horário de trabalho

A maneira como a pessoa humana é tratada quando necessita de atendimento de saúde, mostra a triste realidade da administração pública em zelar por esse direito garantido constitucionalmente. Descaso, negligência e principalmente a falta de respeito com os cidadãos é um assunto que merece atenção, uma vez que nosso bem maior está em discussão, nosso bem-estar, nossas vidas.

No mês dezembro p.passado, o aposentado Benedito Geraldo Gonçalves de 75 anos de idade, viu seu direito constitucional de cidadão ser totalmente ignorado, quando se deparou com seu estado de saúde abalado e precisou, às pressas, ser levado por sua filha e vizinhos ao posto de saúde para um atendimento médico com urgência.

Segundo Andréia Gonçalves da Silva, filha do paciente,  que levou o pai na AMA/UBS do Jardim Helena, houve um total descaso da médica responsável pelo atendimento, mesmo sabendo que nas AMA’s – Assistência Médico Ambulatorial, os profissionais tem horários para entrar e para sair do serviço.   “Foi bem próximo das compras de Natal  e era trânsito para todo lado, meu pai já é idoso estava ali passando mal e eu com medo que acontecesse algo pior. Procurei levá-lo ao atendimento mais próximo de minha casa, para ser medicado e depois encaminhado para um hospital que pudesse ter maiores recursos. Porém, gostaria apenas de ter sido atendida pela médica que no momento viu que ele não estava passando bem, o que lamentavelmente aconteceu ao contrário” explicou Andréia.

Ainda segundo a Andréia, ao chegar na AMA com o pai a enfermeira o levou para uma triagem e verificou o destro dele que no dia estava com 433 de diabetes e assim como narra a filha, a enfermeira foi atrás da médica, que após uma hora de espera a médica compareceu e segundo Andréia, sem muita paciência, apenas olhou para o paciente e disse, “não consigo fazer nada já deu meu horário”. A filha ficou indignada com a falta de humanidade da médica, “Naquele momento eu fiquei assustada com a situação e apenas falei: – doutora, por favor meu pai está passando mal!! E ela apenas disse: “não posso fazer nada mesmo”. Como fiquei aflita e sem saber o que ia fazer com minha cabeça a mil pensamentos, o motorista da ambulância local viu meu desespero e me sugeriu que o levasse na UPA São Miguel, e ainda me falou: “era para eu fazer isto, mas eu recebo ordens e não posso ir”.

Mesmo com a falta de atendimento no AMA do Parque Paulistano, Andreia levou seu pai às pressas para a UPA São Miguel, onde foi prontamente amparado por a equipe médica local e para o alívio da família tudo correu bem. “Graças a Deus consegui chegar a tempo e ser atendida e hoje meu pai passa bem, porém isto vale para uma reflexão e se não conseguisse chegar a tempo? Por falta de atendimento de uma médica sem muita paciência meu pai poderia ter vindo a óbito e toda minha família sofreria as conseqüências, pois acredito que independente de horário, um médico jamais poderia negar socorro a um ser humano”, finaliza a filha Andréia. 

Esse fato lamentável aconteceu por volta das 18 horas no dia 12/12/19 (quinta-feira).

Nota da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, por meio da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Leste, esclarece que a direção da AMA Parque Paulistano lamenta o ocorrido e informa que o teor das queixas apontadas pela filha do paciente será apurado.