Conhecido como Complexo Rapadura, o local é uma das poucas áreas verdes do bairro Jardim têxtil; Metrô diz que vai derrubar só 145 árvores e definirá medidas de manejo e compensação ambiental.

Moradores do Jardim Têxtil, na Zona Leste de São Paulo, estão se mobilizando contra a derrubada de 355 árvores da Praça Mauro Broco para a construção de um canteiro de obras do metrô para expansão da linha 2-Verde.

Conhecido como Complexo Rapadura, o local é uma das poucas áreas verdes da região. O próprio metrô entregou para os moradores um projeto que fala que há autorização para derrubar 355 árvores.

Um muro foi levantado para isolar o local onde vai ser montado um canteiro das obras, que devem durar pelo menos cinco anos. Os moradores colaram cartazes no concreto.

Depois de protestos, o metrô chamou a vizinhança para uma reunião online e recuou. Disse que, agora, vai derrubar só 145 árvores. Mas os vizinhos querem uma formalização da promessa, de acordo com a dona de casa Olivia Arruda.

“Árvore que está marcada fora do limite que ele falou que não ia derrubar, por que ela tá marcada? Depois, eles vão derrubar e ela já está marcada? Então é isso. Nós temos muitas dúvidas quanto à papelada, quanto à licitação, como foi feito o projeto, quanto tempo vai levar, se vai durar 24 horas a obra, o barulho que vai ter, o impacto nas casas.”

O bairro é bem residencial, por isso praticamente todas as árvores que estão na área foram plantadas pelos próprios moradores. O Seu Francisco José Gomes é um deles. Ele mora no bairro há 28 anos.

“É muito triste. Nós vimos essa praça crescer, com várias árvores, inclusive nativas, exóticas. Tem árvores, inclusive, que tá aí atrás de vocês, que tem mais de 100 anos.”

Os moradores também questionam por que o metrô não utiliza outros espaços ociosos do bairro, como, por exemplo, terrenos de fábricas desativadas, de acordo com a professora Marta Cavalcante de Barros.

“A utilização de uma área pública é a opção mais econômica pro metrô porque não passaria por desapropriação, sendo que esses outros espaços teria que ser desapropriados. Mas a área pública é de uso coletivo.”

Segundo o aposentado José Carlos Raimundo, os moradores não são contra a obra.

“A gente não é contra o metrô, a gente é contra toda essa devastação que o metrô tá pretendendo fazer com as árvores que os moradores plantaram aqui.”

Em nota, o metrô disse que tem dialogado com os moradores e que só vai começar a obra quando prestar todos os esclarecimentos e que vai definir medidas de manejo e compensação ambiental depois disso. E garantiu que trabalha para ampliar a Linha 2-Verde com os menores impactos possíveis, cumprindo todos os requisitos ambientais.