Moradores se organizam para cuidar de praça sem zeladoria na zona leste

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Recados como “proibido jogar lixo e entulho” e “cuidar da praça é dever de todos” foram fixados no Jardim Miragaia; população se queixa de abandono do local

Mato alto, lixo no chão e brinquedos em mau estado de conservação… esse é o cenário visto por quem frequenta o Parque Linear Água Vermelha, no Jardim Miragaia, bairro da Vila Curuçá, na zona leste de São Paulo. Quem também passa pelo local, que fica entre o córrego de mesmo nome e a Emef José Honório Rodrigues, precisa desviar do excesso de grama que tomou conta do caminho.

A situação, contudo, já foi um pouco pior. Desde o ano passado, os próprios moradores se reuniram para limpar uma pequena praça que faz parte do parque linear, a fim de deixá-la mais utilizável. Além disso, foram colocadas algumas placas com recados escritos à mão, orientando a população a manter o espaço limpo.

“Meu filho vinha brincar na praça e ela estava suja. Eu não gostava de vê-lo brincando no meio de sujeira, então comecei a recolher com uma sacolinha de lixo o que eu conseguia pegar”, conta Diogo Garcia, 35, técnico em enfermagem.

Foi ele quem teve a ideia de escrever os recados e engajou outros vizinhos a cuidarem da zeladoria. “Nós vimos que a grama estava alta e começamos a limpar durante alguns dias da semana. Aí estendemos essa limpeza para uma parte do córrego e, também, para atrás da escola”, comenta.

Apesar dos esforços, o abandono continua visível. Há apenas três opções de brinquedos no local, mas, o que deveria ser um balanço para as crianças, está sem os assentos. As chuvas derrubaram os galhos de uma árvore, que continuam há dias no chão.

“A gente vai direto até a Subprefeitura [do Itaim Paulista] fazer a solicitação de poda e limpeza. Só que eles nos informam que, no mapa linear, não consta essa praça. Aí ela acaba ficando abandonada e quem tem que tomar conta somos nós”, diz Garcia.

Sem ter o atendimento das solicitações por parte da administração municipal, o aposentado Arlindo Gonçalves, 70, utiliza seu tempo para cortar a grama em frente à casa dele com uma tesoura de jardinagem. “Até o ano que vem eu consigo terminar de cortar tudo”, brinca.

Além de recolher parte do lixo descartado no local, Gonçalves também planta e cuida de árvores frutíferas, como pés de manga e de limão, “para deixar a praça mais bonita”. No entanto, reclama da falta de cuidados da própria população.

“Tem vezes que a gente até arruma confusão para que ninguém jogue lixo e entulho dentro do córrego. Isso é sujar o que pertence a nós. E se a gente não cuidar, quem vai fazer isso?”, finaliza.

RESPOSTA DA PREFEITURA

Ao 32xSP, a Subprefeitura Itaim Paulista esclareceu que o Parque Linear Água Vermelha é de responsabilidade da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).

A Secretaria, por sua vez, explicou que realiza ações constantes para coibir o descarte de lixo e que recentemente foram feitas podas de limpeza e adequação nas árvores. Quando às lixeiras, disse que a manutenção é feita por uma empresa de varrição gerenciada pela subprefeitura local.

Em São Paulo, o descarte irregular de lixo e entulho em vias públicas é passível de multa no valor de até R$ 16.003,53, conforme estabelece a Lei de Limpeza Urbana (nº 13.478/02), além de ser considerado um crime ambiental.