Ela é considerada a primeira mulher negra a protagonizar uma novela

Atriz negra com grande destaque na TV, no teatro e no cinema, a atriz Ruth de Souza morreu neste domingo (28), anos 98 anos. Ela estava internada desde segunda-feira (22) na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or, no Rio, tratando de uma pneumonia.

Nascida em uma família pobre no dia 12 de maio de 1921, no Rio, Ruth é considerada uma das pioneiras da televisão brasileira. Participou do início da extinta TV Tupi e atuou em sua primeira novela em 1965, no folhetim A Deusa Vencida, da também extinta Excelsior.

Ganhou destaque na Globo durante as décadas de 1970 e 1980, participando de clássicos da dramaturgia como Pigmalião 70 (1970), O Bem-Amado (1973), O Rebu (1974), Sinhá Moça (1986) e Mandala (1987).

Com A Cabana do Pai Tomás (1969), foi a primeira mulher negra a ganhar papel de protagonista na emissora. Seu papel era o da Tia Cloé, líder do movimento que levou à abolição da escravidão nos Estados Unidos — a trama se passava durante a Guerra da Secessão.

Ruth também teve grande importância no cinema. Seu primeiro filme foi em 1948. Indicada pelo escritor Jorge Amado, atuou em Terra Violenta (1948), dirigido por Tom Payne. O mesmo diretor gravou com ela o filme Sinhá Moça (1954), trabalho que deu a Ruth o reconhecimento de ser a primeira atriz brasileira indicada a um prêmio cinematográfico internacional — concorreu pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza. Também foi a primeira mulher negra a atuar no palco do Teatro Municipal do Rio.

Neste ano, Ruth foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz, da Série A do Carnaval do Rio de Janeiro, e participou do desfile. Ela também se mantinha ativa na televisão e integrou recentemente o elenco da minissérie Se eu fechar os olhos agora.

Em entrevista ao jornal O Globo em 2013, Ruth atribuiu seu sucesso profissional à generosidade das pessoas:

— Acho que as pessoas foram generosas comigo. Fiz teatro e cinema. Quando acabava um contrato, já surgiu um outro convite e eu recomeçava o trabalho no dia seguinte. Repito: nunca fiquei parada. E isso porque, antigamente, a cor da pele era uma característica muito marcante. Hoje, graças a Deus, a situação melhorou — refletiu, à época.

Somente na Globo participou de cerca de 30 produções, entre novelas e minisséries, como protagonista, coadjuvante ou fazendo participação especial.

Fonte: NSCTotal