Mulher indiciada por ofender e agredir funcionários e clientes de padaria em SP não tem registro de advogada na OAB

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Quando foi detida na sexta-feira (20), Lidiane Brandão Biezok, de 45 anos, falou na filmagem que é ‘advogada internacional’. Ela foi presa por injúria racial, lesão corporal e homofobia; depois, acabou solta para cumprir prisão domiciliar e pediu desculpas, alegando depressão.

A mulher que apareceu em um vídeo que circula nas redes sociais ofendendo e agredindo funcionários e clientes da padaria Dona Deôla, na Zona Oeste de São Paulo, não tem registro de advogada na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Quando foi presa pela Polícia Militar (PM) na sexta-feira (20), Lidiane Brandão Biezok, de 45 anos, falou que é “advogada internacional”

“Eu sou advogada internacional, cala a sua boca, sua bicha do c*”, disse Lidiane no vídeo no qual ofende um cliente do estabelecimento.

Ela também informou no boletim de ocorrência do caso, registrado no 91º Distrito Policial (DP), Ceasa, que é “advogada”. A mulher foi indiciada pela Polícia Civil por três crimes: injúria racial, lesão corporal e homofobia.

“A OAB SP esclarece que a senhora Lidiane Brandão Biezok não consta no sistema de cadastro da entidade e nem no Cadastro Nacional de Advogados (CNA), mantido pelo Conselho Federal da OAB, que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os advogados do Brasil”, informou nota divulgada nesta segunda-feira (23) pela OAB em São Paulo.

Segundo fontes da entidade, existe a possibilidade de que Lidiane seja aluna de direito ou já tenha se formado no curso, mas não possua o registro. Outra hipótese é que ela tenha registro de advogada em outro país.

Lidiane foi solta neste sábado (21) por decisão da Justiça, que converteu a prisão em flagrante em prisão domiciliar. Nesta segunda, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ) citou o fato de Lidiane ter “problemas psiquiátricos” como uma das justificativas para que ela fique presa em casa.

‘Desculpas e depressão’

Até a última atualização desta reportagem, o G1 não havia localizado Lidiane para comentar o assunto. O advogado dela também não foi encontrado.

Neste domingo (23), quando falou com a reportagem, a mulher se identificou como advogada e pediu desculpas às vítimas pelo que fez. Também alegou que sofre de depressão.

“Esse problema de depressão é genético, é grave, não é uma depressãozinha, entendeu? É uma depressão para o resto da vida, é bipolaridade. É uma coisa complicada, é complexo”, disse Lidiane por telefone.

“Eu gostaria muito, muito mesmo de dar um abraço neles e falar: ‘Desculpa, cara. Desculpa, perdão'”, declarou Lidiane, que se mostrou arrependida, dizendo que não quis ofender e agredir ninguém.

Essa não foi a primeira vez, porém, que Lidiane foi acusada por xingar e bater em alguém. Em 2005, ela havia sido acusada de calúnia, injúria e difamação. E, em 2007, respondeu por lesão corporal.

Os dois processos, no entanto, foram suspensos na Justiça. O motivo seria o fato de a ré ter depressão, o que a impediria também de exercer a advocacia, segundo policiais ouvidos pelo G1.

Fonte: G1