Pesquisa da prefeitura aponta que prevalência de anticorpos contra Covid-19 é duas vezes maior entre pessoas que não restringem contatos sociais, em relação àquelas que praticam isolamento social rígido. Na média, 14% dos moradores da capital já tiveram contato com a doença.

Uma pesquisa da Prefeitura de São Paulo divulgada nesta quinta-feira (14) aponta que 11,4% das moradores da capital que não tiveram contato social com amigos e familiares, exceto com os que vivem na mesma casa, já contraíram Covid-19. Já entre as pessoas que disseram não ter nenhuma restrição de contato social – ou seja, que não praticam o isolamento – 28,9% se infectaram.

Os dados foram obtidos por meio de um inquérito sorológico que fez testes de anticorpos em 1.960 pessoas no mês de janeiro. Trata-se da primeira de quatro fases de um mapeamento que busca descobrir, por amostragem, quantos pegaram coronavírus na cidade.

Para o secretário da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, “foi muito grande” a diferença na prevalência entre indivíduos que praticam isolamento social e os que deixam de fazê-lo. “O que mostra que, nas pessoas que não tiveram esse cuidado, a contaminação foi mais do que o dobro”, afirmou ele em entrevista coletiva.

As pessoas que disseram ter apenas contato restrito com amigos e no trabalho registraram um índice intermediário entre os dois grupos, com 13,5% de prevalência.

A pesquisa mostra ainda que 14,1% dos moradores da capital já tiveram contato com a Covid-19. No ano passado, o percentual verificado nesse mesmo tipo de levantamento foi inferior: 13,6% dos paulistanos demonstraram ter anticorpos contra a Covid-19 no inquérito sorológico na última fase do estudo, em setembro.

Movimentação intensa de consumidores na Rua Oscar Freire, nos Jardins, região central de São Paulo, nesta quarta-feira, 23 de dezembro de 2020, antevéspera do Natal e do lockdown decretado pelo Governo do Estado de São Paulo por três dias no Natal e três dias no Ano Novo para conter a transmissão do novo coronavírus (COVID-19).  — Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Movimentação intensa de consumidores na Rua Oscar Freire, nos Jardins, região central de São Paulo, nesta quarta-feira, 23 de dezembro de 2020, antevéspera do Natal e do lockdown decretado pelo Governo do Estado de São Paulo por três dias no Natal e três dias no Ano Novo para conter a transmissão do novo coronavírus (COVID-19). — Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Prevalência por região

A região de São Paulo que teve maior aumento no percentual em 2021 ano foi o extremo Leste: no ano passado, 11,7% da população tinha anticorpos, e agora esse índice saltou para 19,4%.

O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos (IgM/igG). Portanto identifica casos passados da doença. Ele é usado para monitorar a porcentagem da população que já teve contato com o vírus. A presença de anticorpos no organismo não significa que a pessoa está imune à doença.

“No comparativo [com 2020], a região onde teve o maior aumento de prevalência foi na Zona Leste da cidade, que acho que é o fato mais importante a ser destacado num primeiro momento”, disse Edson Aparecido.

Inquérito sorológico da Prefeitura de SP mostra que 14,1% dos paulistanos tiveram Covid-19; percentual aumentou mais na Zona Leste da cidade — Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Inquérito sorológico da Prefeitura de SP mostra que 14,1% dos paulistanos tiveram Covid-19; percentual aumentou mais na Zona Leste da cidade — Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

Segundo a pesquisa, além do aumento na Zona Leste, a prevalência também subiu mais em jovens adultos, de 35 a 49 anos, e nas regiões de alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), consideradas as mais ricas da cidade.

“O inquérito, na sua primeira fase de 2021, aponta uma prevalência maior entre o jovem adulto de 35 a 49 anos, de 19%, que é exatamente a faixa etária que circulou com mais intensidade na cidade”, disse Aparecido.

De acordo com o secretário, o aumento nas regiões de alto IDH deve se acentuar nos próximos estudos, como reflexo das viagens e dos feriados do mês de dezembro.

“A região do centro expandido e de IDH alto saltou pra 11,9% a prevalência, enquanto a faixa de IDH médio ficou em torno de 10,9% e a faixa de IDH baixo em 22%. Em 2020, a prevalência era menor na faixa de IDH alto”, afirmou.

“No final do ano, já apontamos que havia um crescimento muito acelerado, em alta velocidade, na região de alto IDH na cidade, que depois veio a se confirmar, e que obviamente vai se agravar com os acontecimentos do mês de dezembro.”

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Sororreversão

A Prefeitura de São Paulo apresentou ainda um novo estudo que avalia se as pessoas testadas na pesquisa feita em 2020 ainda apresentam anticorpos contra Covid-19.

Dos testados, 78% continuam com anticorpos, e 21% não, ou seja, tiveram o que os cientistas chamam de sororreversão. Os pesquisadores, no entanto, reforçam que isso não quer dizer que essas pessoas têm ou não imunidade contra a doença.

A pesquisa também observou que a taxa de sororreversão foi maior (26%) em indivíduos que não tiveram sintomas da doença.

No entanto, não houve diferença significativa na taxa quando considerado o tempo decorrido entre o primeiro exame e o segundo. Para os pesquisadores, isso mostra que esse intervalo não teve grande influência no desaparecimento de anticorpos.

Fonte: G1