Fotógrafos independentes retratam a vida cotidiana da periferia durante a pandemia do novo coronavírus. Veja as imagens dos cinco vencedores do concurso.

O fotógrafo Roger Silva, 40 anos, morador da periferia de Maceió, no Alagoas, foi ganhador da microbolsa EL PAÍS e Artisan, com a série de fotografias de autorretrato “Banzo”, que se propõe a discutir as angústias da população negra periférica em tempos de isolamento social.

As máscaras usadas no ensaio são, segundo Silva, alegorias dos medos, dúvidas e preocupações sobre a covid-19. “Preocupações com o vírus que continua matando, agora mais do que nunca as pessoas pobres e trabalhadoras, que precisam sair das suas casas para manter seu sustento”, diz.

O fotógrafo explica que os medos retratados na série não são contemporâneos. “Eles têm rasgado nossos corpos ao longo da História da humanidade. Continuamos em busca de sobrevivência”.

“Continuamos lutando para não sermos mortos. Ontem pelos açoites do chicote, pelo fardo do trabalho escravo. Hoje pelo preconceito, ignorância dos poderes vigentes e por um vírus que já matou mais de 100.000 só no Brasil”.

O fotógrafo define a série como “um manifesto imagético sobre nossas dores e lutas por sobrevivência”

O fotógrafo Luca Meola retratou a favela do Peri Alto, no extremo da zona norte de São Paulo.

Segundo Moela, a favela do Peri Alto reflete bem a estrutura da sociedade brasileira. “No topo do morro ficam as casas mais sólidas, construídas na década de 1970 por imigrantes nordestinos, vindos para São Paulo em busca de fortuna. Do alto, descendo em direção ao rio, as moradias se tornam barracos. São frágeis, feitas de materiais improvisados e não possuem saneamento básico”. explica.

“Ao adentrar o território, a impressão que temos é a de que a pandemia do coronavírus perturbou o mundo como um tornado, ao mesmo tempo em que, por lá, se apresentou como uma brisa leve”, diz o fotógrafo.

As casas são muito pequenas e superlotadas, o que dificulta a possibilidade de fazer uma quarentena.

Muitas das famílias do Peri Alto estão sobrevivendo graças a doações. A maioria das crianças estão há meses distantes da escola. “Ao documentar o impacto da pandemia em uma favela suburbana, percebi que, além da covid-19, existem problemas estruturais e mais profundos”, diz o fotógrafo Luca Meola.

A fotógrafa Fiona Forte retratou a a comunidade do Bode, Pina, no Recife.

“O trabalho buscou trazer uma visão mais viva, dinâmica e fraternal sobre como a comunidade resolve seus problemas de forma autônoma, com alegria e responsabilidade”, diz a fotógrafa.

“Tendo condições precárias para lidar com a pandemia do novo coronavírus, a comunidade do Bode, Pina, Recife, utiliza métodos próprios para combater a desinformação. Criaram o clipe da música “Passinho da prevenção””, diz.

A nova geração é particularmente ativa, segundo a fotógrafa. Comunidade fica na região Sul de Recife.

A fotógrafa Larissa Rocha retratou a Ocupação Cultural de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo.

“Após anos de luta por uma casa de cultura em Ermelino, os artistas locais conseguiram ocupar uma sub-prefeitura abandonada, reestruturaram o local e fizeram de lá um lar para receber os trabalhos dos artistas e moradores”, diz Larissa Rocha.

Com a pandemia, os artistas locais resolveram usara o espaço para fazer distribuição de máscaras gratuitamente, cestas básicas e de água e sabão. Segundo a fotógrafa, os artistas ensinaram os moradores a como se prevenir do vírus e manter a higiene correta das mãos.

“Os artistas que tanto lutaram por uma casa que acolhesse sua arte, foram os mesmos que se mobilizaram para sustentar a comunidade com o básico que o governo não se importou em dar”, diz Larissa Rocha.

Fonte: El País