No arquipélago das Bermudas, a solução de um mistério geológico oferece novas informações sobre a história da Terra.

Não tem a ver com o famoso triângulo em que se diz que barcos sumiram, nem com as areias e praias do arquipélago que atrai turistas de todo o mundo.

A questão está mais abaixo, a quilômetros de profundidade, debaixo inclusive das camadas de rocha que formam o solo da região.

É que lá dorme um vulcão que se extinguiu há cerca de 30 milhões de anos.

E não é um vulcão qualquer. De acordo com um grupo de cientistas liderados pelo geólogo Esteban Gazel, ele foi formado de uma forma nunca antes vista no planeta.

A pesquisa, publicada em maio na revista Nature, aponta que o vulcão tem origem na zona de transição do manto, uma camada rica em água, cristais e rochas fundidas entre 440 e 660 km abaixo da crosta da Terra.

“O estudo sugere que a zona de transição do manto terrestre também pode originar vulcões – esta é a primeira vez que evidências disso são obtidas”, explica Gael, que é professor de ciência atmosférica e ciências da terra na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Segundo o pesquisador, a pesquisa, além de confirmar a origem vulcânica das Bermudas ou a nova possibilidade de formação de vulcões, revela a importância de uma camada pouco conhecida da Terra.

“O estudo ajuda a entender que a zona de transição é uma camada de importância significativa para a evolução do planeta Terra, onde magma e processos químicos são produzidos”, acrescenta.

O geólogo afirma que esta camada é em si “um reservatório de vulcões”, mas também uma fonte “única” de água.

“Tem água lá para formar pelo menos três oceanos”, diz ele. “Não é, evidentemente, na forma líquida, mas na estrutura dos minerais. Ou seja, os minerais têm água em suas moléculas.”